Curitiba - O Laboratório Central de Tecnologia do Paraná (Lactec) poderá ser obrigado a fechar as portas caso não comprove que tem capacidade para gerenciar recursos públicos sem que ocorram excessos de gastos com viagens ou despesas de pessoal. A decisão foi tomada pelo governador Roberto Requião (PMDB), após a análise do resultado de uma auditoria interna feita pela Ouvidoria Geral do Estado e que teria comprovado irregularidades nas gestões de Henrique José Ternes Neto (2001-2002) e de Alceni Guerra (2003).
Os dados foram apresentados ontem, durante a reunião semanal do secretariado, pelo novo diretor-superintendente do Lactec, Aldair Rizzi. Desde 2004, a Copel repassa ao Lactec R$ 24 milhões por ano através de um convênio para o pagamento de pessoal e o desenvolvimento de pesquisas na área de energia. As pesquisas são comercializadas em quase todos os estados e em países como Equador, Paraguai, Estados Unidos, Iraque, Malásia e China. Um dos problemas relatados por Rizzi seriam os processos trabalhistas que somariam R$ 13,8 milhões.
Os processos teriam sido gerados por conta da administração de Alceni - que privilegiaria contratações de pessoas jurídicas. Ou seja, o particular abria empresa e prestava serviços para o Lactec. Depois, entrava na Justiça e pedia 13º salário, férias e encargos trabalhistas. Quando assumiu, Rizzi disse que 34 funcionários ainda eram contratados como empresas prestadoras de serviço. ''A auditoria feita entre os anos de 2003 e 2004 constatou que estavam sendo pagos salários absurdos. Essa folha de pagamento acabou lesando o Lactec.'' Outro problema seria o uso da lucratividade do Lactec para investimentos desnecessários como compra de prédio, incorporação de novas empresas e investimentos no município de Pato Branco.
Nos anos de 2003 e 2005, o Lactec amargou prejuízos. Em 2003, de cerca de R$ 5,5 milhões e em 2005, de R$ 3,8 milhões. O motivo do déficit, segundo Rizzi, seria o aumento de salários (R$ 1,3 milhões), contratações de 74 pessoas (R$ 5,1 milhões) e queda na receita (R$ 5,8 milhões). ''O Lactec era uma bagunça. Tive uma nefasta idéia de colocar o Alceni (Guerra) lá no início do meu governo. Ele gastou mais de R$ 17 milhões em passagens e viagens. Foi uma festa terrível e que tive coragem de interferir com a realização de uma auditoria'', relatou Requião. O governador deu a Rizzi a missão de sanear o Lactec para não ter que extingui-lo.
Rizzi disse que irá buscar a ampliação de parceiros, redução de despesas e aprofundamento de projetos para melhorar o faturamento do Lactec.

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