Brasília - A revelação de que havia 52 agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha, liderada pelo delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, selou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de afastar em definitivo o delegado Paulo Lacerda do comando da agência. Lacerda foi afastado temporariamente no dia 1º de setembro passado, depois que a revista Veja revelou o grampo de uma conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Lacerda foi afastado junto com outros três integrantes da cúpula da Abin: o vice dele, José Milton Campana, o chefe do Departamento de Contra-Inteligência, Paulo Maurício Fortunato Pinto, e o assessor especial da presidência, Renato Porciúncula. A Agência Estado apurou que, assim como Lacerda, nenhum dos três voltará aos postos que ocupavam na Abin. O Planalto está certo de que, além da polêmica das maletas de fazer varreduras e grampo, destravada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), na reunião da Coordenação Política na semana passada, a Operação Satiagraha era uma investigação mais do delegado Paulo Lacerda do que de Protógenes - enquanto a PF mobilizou um total de 23 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães e peritos, a Abin liberou 52 agentes para trabalhar com o delegado Protógenes.
Os problemas políticos gerados pela Operação Satiagraha não afetarão, porém, o general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o ministro da Justiça, Tarso Genro.

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