O juiz da 157 Zona Eleitoral de Londrina, Luiz Sérgio Swiech, tomou ontem o depoimento do ex-diretor presidente da extinta Comurb (hoje CMTU) Kakunen Kyosen. Ele é réu na ação penal ajuizada pelo Ministério Público (MP) Eleitoral por supostas irregularidades na prestação de contas da campanha do ex-deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PP).
Kakunen assinou a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral referente à campanha de 1998 de Antonio Carlos. Conforme a ação, assinada pelo promotor Cláudio Esteves, eles teriam omitido recursos arrecadados e despesas efetuadas durante a campanha.
De acordo com a prestação de contas de Antonio Carlos, que exerceu mandato entre 1999 e 2002, teriam sido arrecadados R$ 197,5 mil e gastos R$ 197,4 mil. No entanto, segundo a ação, um sistema de anotações de receitas e despesas apreendido na casa e no escritório de Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, durante as investigações do escândalo AMA/Comurb, traria valores correspondentes à campanha de Antonio Carlos que não constariam da prestação de contas encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em depoimento prestado à Justiça, Zavierucha admitiu que as anotações - preenchidas de próprio punho - se referiam à movimentação financeira da campanha do ex-deputado.
Entre os valores supostamente omitidos na prestação de contas, o MP destacou duas prováveis doações à campanha registradas na chamada ''lista de Zavierucha'', em nome do ex-secretário Municipal de Fazenda Ismael Mologni, e do ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan, que totalizavam R$ 755 mil. Segundo o MP, esses recursos teriam sido obtidos através de um empréstimo no Banestado.
Kyosen não concedeu entrevista. Segundo o seu advogado, Ronaldo Neves, no depoimento, Kyosen reiterou que somente formatou a prestação de contas. ''Ele era responsável pela prestação de contas, não pelo acompanhamento sistemático da contabilidade da campanha. Ele recebeu do Francisco Mestre e do Gino Azzolini (ex-secretário de Governo) a documentação e formatou a prestação de contas. Ele não entrou no mérito da documentação, não lhe cabia'', disse.
A Justiça Eleitoral tentou intimar o ex-deputado, mas ele não foi localizado. ''Vamos tentar encontrá-lo. Caso contrário, ele será intimado por edital'', afirmou o juiz. O depoimento de Antonio Carlos foi agendado para o dia 14 de dezembro. A reportagem tentou falar com o ex-deputado, mas os telefones celulares estavam desligados.

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