A empresa Kurica Ambiental S/A entrou com uma representação na Corregedoria Geral do MP (Ministério Público) contra o promotor de Justiça Thiago Gevaerd Cava. O documento, protocolado pelo diretor-presidente, Marcello Almeida de Oliveira, considera que foi precipitada a ação de improbidade administrativa ajuizada contra a ex-promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Novaes Vicentin, que hoje atua nos Juizados Especiais.

A Kurica classifica a ação de 'temerária, irresponsável e 'frágil' e aponta que foi motivada por divergências internas e fere a dignidade do diretor da empresa. De acordo com o advogado Camilo Kemer Vianna, o promotor cometeu erro ao formular a ação e constrangeu os citados ao quebrar o sigilo. "A postura é equivocada e a forma não parece imparcial", disse. O documento pede à Corregedoria que "sejam tomadas as medidas disciplinares e correcionais pertinentes."

A ex-promotora do Meio Ambiente é acusada de favorecimento de dois empresários em ação distribuída à 2ª Vara da Fazenda Pública. De acordo com a ação assinada por Cava, em três situações distintas ela agiu em favor de Max Lobato Sales, dono das empresas Sena Construções Ltda. e Habitação, Participação e Empreendimentos Ltda., e Marcello Almeida de Oliveira, dono da Kurica Ambiental. O promotor também solicitava a indisponibilidade de bens dos supostos envolvidos no valor de R$ 290 mil.

Conforme a ação, a promotora teria intercedido em favor das empresas para que o município autorizasse o parcelamento de lotes próximos ao Morro dos Carrapatos, área invadida por famílias carentes; no segundo caso, Solange teria insistido que a CMTU contratasse a Kurica para fazer o serviço de transbordo do lixo; e, no terceiro caso, ela teria agido para que o município adquirisse áreas de Lobato para expandir o Cemitério Municipal Jardim da Saudade.

Decisão
O juiz Emil Tomás Gonçalves determinou em decisão proferida no dia 23 de março que o promotor adeque a petição inicial, já que se tratam de três fatos distintos, que deveriam estar em três diferentes demandas. Procurado pela FOLHA, o promotor informou que não havia sido comunicado sobre a representação. Em setembro do ano passado, quando a FOLHA publicou reportagem sobre a investigação, a promotora Solange Vicentin negou todas acusações e encaminhou nota na qual afirmava que "jamais se afastou da verdade e dos deveres, principalmente para beneficiar qualquer empresa ou empresário."

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