Kofi Annan chega para quatro dias de visita ao Brasil
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sábado, 11 de julho de 1998
Roni Lima France Presse 
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, desembarcou ontem no Rio de Janeiro afirmando que discutirá assuntos mundiais em encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, amanhã em Brasília.
Annan, que vem ao Brasil a convite do governo federal, e na terça segue para visitar outros países da América Latina - Uruguai, Argentina, Guatemala e México - disse que FHC é uma pessoa que se preocupa com o que está se passando ao redor do mundo. O secretário-geral disse que o presidente está fazendo um bom trabalho no Brasil.
Integrantes do Comitê contra a Prisão e a Perseguição Política no Brasil pretendiam entregar ontem no final da tarde a Annan um abaixo-assinado, com cerca de 3.000 assinaturas, em que pedem ao presidente FHC a libertação de presos como os que sequestraram o empresário Abílio Diniz. O comitê quer a intermediação de Annan.
Annan deverá abordar a questão da disputa brasileira por uma vaga permamente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, dentro de uma eventual reorganização da estrutura do organismo internacional. Como não se trata de uma visita de trabalho, não haverá uma ordem do dia precisa, mas o presidente Fernando Henrique Cardoso abordará, sem dúvida, a questão do Conselho de Segurança com Annan Kofi, afirmou à AFP um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
O Brasil expressou várias vezes seu desejo de conseguir um lugar permanente no Conselho de Segurança: o assunto foi abordado com certa persistência durante a visita de Brasília, em outubro passado, do presidente Bill Clinton.
Segundo Celina do Valle Pereira, diretora do departamento de organismos internacionais do ministério, Fernando Henrique e Annan tratarão de todas as questões da atualidade internacional, em particular da situação na Guiné-Bissau, no Oriente Médio ou das conversaçõe de paz entre o Equador e o Peru, uma vez que o Brasil é um dos avalistas da negociação entre as duas nações sul-americanas.
Annan deve reconhecer a participação do Brasil nas forças de paz em Angola, e seu papel como país avalista, que desempenha na resolução do conflito fronteiriço entre Equador e Peru.


