O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) passou das 10 às 19 horas de ontem em Curitiba, coordenando operações de rastreamento de cheques para subsidiar a CPI dos Títulos Públicos do Senado. Durante todo o tempo, ele foi acompanhado de uma equipe da Polícia Federal. O senador, que integra a Comissão, veio a atrás de documentos que comprovem a ‘lavagem’ de parte do dinheiro do esquema, que chegou ao Paraná através da empresa ‘fantasma’ Asempre Consultoria e Assessoria Empresarial.
No início da noite, Kleinubing tomou um vôo para Florianópolis (SC), onde fica ainda hoje para uma ‘‘avaliação’’ do que conseguiu reunir no Paraná. Ele passou parte do dia reunindo fitas de caixa da agência do Banco do Brasil do Alto da XV, onde, confirmou à Folha, as investigações da CPI localizaram uma conta dos donos da Asempre, cujos nomes não foram revelados.
‘‘A Asempre foi apenas outra laranja do esquema. Temos pistas concretas de quem a usou e com que finalidade’’, garantiu ontem o senador, que promete revelar os desdobramentos da investigação nos próximos dois dias. ‘‘Quebramos o sigilo bancário desta empresa (Asempre) porque precisávamos sanar algumas dúvidas. Já sabemos que os sócios moram no interior do Estado e que foram apenas instrumentos’’, adiantou Kleinubing, que não revelou os nomes dos dois sócios da Asempre.
O senador também adiantou à Folha - primeiro numa entrevista por telefone celular, depois pessoalmente na superintendência da PF de Curitiba - que esses diretores teriam ‘base’ em Guaíra - ou Goioerê -, no Paraná, mas que ‘‘o senador Roberto Requião (PMDB-PR)’’ poderia confirmar isso melhor. A Folha tentou contato telefônico com o relator da CPI, em Brasília, mas ele disse estar muito ocupado com depoimentos da própria CPI.
Kleinubing investiga o destino dos R$ 7,5 milhões da corretora IBF, entregues à Asempre e repassados através de 600 cheques, conforme denúncia feita na semana passada por Requião. O senador de Santa Catarina disse querer saber quanto dos R$ 120 milhões desviados em precatórios do seu Estado veio parar no Paraná. O senador não quis antecipar uma previsão do que reuniu em Curitiba, mas disse ter ‘‘fortes pistas’’ sobre o mentor das operações que envolveram a Asempre. Ele pretende fazer uma revelação pública ‘‘em dois dias’’ e disse apostar que este dinheiro foi desviado ‘‘para as mãos de poucas pessoas’’.
Os contatos de Kleinubing na agência do BB do Alto da XV foram com o gerente, Manoel Dantas Rehem, e com o ex-gerente Silvino Tenório Câmara Filho. O chefe da Delegacia Fazendária do Paraná, Eduardo Teixeira, acompanhou a operação do senador. Kleinubing comandou uma ‘batida’ na agência ‘‘Transoceânica Passagens e Turismo Ltda - na rua Marechal Deodoro, 500, 2º andar -, mas disse depois que ‘‘foi uma investida infrutífera’’. No final da tarde, Kleinubing se reuniu com o superintendente da PF no Paraná, Luiz Glicério Ferrari, para um balanço da operação.
O senador garante que o seu rastreamento tem objetivo único de descobrir ‘‘quanto foi desviado de Santa Catarina’’. ‘‘As questões políticas que o episódio pode ter ficarão sob a responsabilidade do senador Requião’’, adiantou-se Kleinubing, referindo-se aos dois cheques da Asempre usados para pagar três pesquisas de opinião feitas pela CBPA no segundo turno das eleições em Londrina.

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