O senador Vilson Kleinubing, detentor do cargo mais importante para o PFL de Santa Catarina e um de seus principais líderes nacionais, ameaçou ontem ‘‘deixar o partido’’. Kleinubing fez um ultimato ao PFL: ‘‘Ou os oito deputados estaduais assinam um documento comprometendo-se a votar pelo impeachment - do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) - ou saem do partido. Se eles não saírem, eu saio’’.
A bancada do PFL realiza hoje uma reunião em que será discutido o comportamento do partido na semana passada. ‘‘Os deputados Onofre Agostini e Ciro Roza devem explicação a mim e ao povo de Santa Catarina’’, disse. Agostini e Roza se manifestaram favoráveis ao não-impedimento de Vieira e do vice-governador José Augusto Hulse. ‘‘Eles votaram com os demais integrantes da bancada, atendendo à diretriz partidária, só porque viram que não surgiria um terceiro voto, capaz de livrar o governador do processo’’, afirmou Kleinubing.
Para Kleinubing, ‘‘o partido está perdendo a sua personalidade em Santa Catarina’’. Recomendou que sejam seguidas as orientações do embaixador do Brasil em Portugal, Jorge Bornhausen, do presidente regional do partido, Pedro Bittencourt, e do presidente do conselho político do PFL catarinense, Antônio Carlos Konder dos Reis - todos favoráveis ao impeachment.
Existe a possibilidade de Agostini e Roza trocarem o PFL pelo PMDB ou se tornarem independentes. Nas duas situações, Paulo Afonso asseguraria votos suficientes para garantir o seu mandato. O PDT faria parte da composição. Para se manter no cargo, o governador precisa de 14 votos. Já tem assegurado 11 do PMDB.
Sobre a possibilidade de o governo gastar R$ 50 milhões do programa ‘‘Viva o Município’’ nas cidades que são bases eleitorais do PFL, Kleinubing disse que vê duas ações suspeitas: ‘‘Uma porque o governo usa recursos públicos para comprar votos. Outro porque o governo não tem esses recursos. Acena com algo que não vai cumprir’’.

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