O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), retirou, por tempo indeterminado, o projeto de lei (PL) que revia o avanço do perímetro urbano sobre a zona de amortecimento da Mata dos Godoy. O texto, que tramitava na Câmara Municipal de Londrina (CML) com pedido de urgência do Executivo, foi suspenso depois que o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma) aprovou parecer contrário à manutenção de zonas comerciais e residenciais sobre a área demarcada, anteontem.
O PL foi proposto depois que a ONG Meio Ambiente Equilibrado (Mae) conseguiu, na Justiça, a suspensão dos efeitos das leis de Zoneamento e de Perímetro Urbano sobre a zona de amortecimento. Isso porque as modificações no Plano Diretor transformam parte do território, delimitado pelo órgão gestor do parque – no caso, o Instituto Ambiental do Paraná – e obrigatoriamente rural, em áreas urbanas residenciais, comerciais e industriais. A suspensão afeta empreendimentos que já haviam sido aprovados.
Após a decisão, o Executivo vetou novos empreendimentos e propõe a modificação do zoneamento, excluindo as áreas industriais, de maior impacto ambiental. O texto seria analisado hoje pela Comissão de Justiça da CML, mas a reunião foi suspensa devido à retirada.
Para embasar seu parecer, a Comissão de Justiça havia solicitado parecer de órgãos como a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e Consemma. Embora o primeiro órgão tenha dado parecer favorável, a Câmara Técnica de Fauna e Flora do conselho emitiu parecer contrário, sugerindo que sejam desfeitos também os zoneamentos comerciais e residenciais.
Na reunião de anteontem do Consemma, o secretário de Meio Ambiente, José Carlos Bruno, tentou intervir para que os membros derrubassem o parecer da câmara técnica. Após a derrota por seis votos a cinco, Bruno censurou uma conselheira que se absteve do voto - foram duas abstenções no total.
A presidente do Consemma, Raquel Queiroz, repudiou ontem o comportamento do secretário. "A presença dele é sempre bem-vinda, desde que respeite o conselho", disse. Raquel ressalta que o Consemma é um órgão de controle social autônomo "que não vai admitir intervenção". Bruno não foi localizado ontem em seu telefone celular.

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