Com a presença de cerca de 25 empresários, o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), e o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, parecem ter conseguido o apoio da maioria dos vereadores para retomar a tramitação dos projetos de doação de áreas públicas para empresas. Apesar disso, Kireeff diz que não se decidiu quando vai solicitar o retorno à pauta.
Treze projetos do gênero que estavam na Câmara Municipal tiveram a tramitação interrompida a pedido da líder do governo, Elza Correia (PMDB), anteontem. Todos foram protocolados há pouco mais de um mês e são tidos como prioritários por Kireeff.
A interrupção foi pedida após a prisão de três pessoas, incluindo um funcionário público da Codel, por suspeita de cobrança de propina para agilizar os processos dentro do instituto. Outro servidor da Codel também está sendo investigado.
Após a presença de Kireeff, Elza chegou a anunciar que pediria o retorno dos projetos à pauta, mas o prefeito não permitiu até que analise as manifestações por escrito dos empresários.
Ontem, na Câmara, o prefeito alegou que é hora de decidir se "vamos encarar a cidade com base nos acontecimentos passados ou se vamos enfrentar o desenvolvimento e incluir os riscos envolvidos nessa postura". A frase tem a ver com o apoio à tramitação dos projetos mesmo antes do fim das investigações pelo Gaeco ou por sindicância instalada na Codel.
"Tem risco a nossa posição? Tem, de sermos engambelados como fomos por esse irresponsável", disparou, referindo-se ao servidor que foi preso.
Em nome dos empresários, o proprietário da SA Medial, Antonio Donizete de Sá, disse aos vereadores que os empresários não gostam de trabalhar com risco de terem investimentos prejudicados. "Não tenham medo de abrir as portas para essas empresas. Se porventura vocês errarem, a Justiça existe para punir e corrigir", alegou.
Antes das manifestações de apoio da maioria dos parlamentares, o presidente da Câmara, Rony Alves, afirmou que não há receio de aprovar os projetos, mas precisa haver segurança da lisura do processo. "Não se trata de votar sem medo. Trata-se de votar com a certeza, principalmente de que nenhuma delas tenha envolvimento com o esquema", justificou.
Outra voz destoante foi a de Lenir de Assis. Para a parlamentar, a transparência no andamento dos projetos foi ferida com o caso em apuração. "Temos investigação em curso e uma suposta irregularidade. O que vejo é que não podemos apressar a votação", afirmou.
Em entrevista coletiva, o prefeito não deu certeza de que vai pedir a retomada dos projetos de lei ainda este ano. Também negou que a presença dele e Veronesi com os empresários seja uma forma de pressionar a Câmara, mas uma manifestação de confiança no processo e de manutenção das doações.
Rony afirmou que o Legislativo ainda pode votar os projetos, caso o prefeito solicite, mas que não será feito em bloco. "Vamos analisar um por um." Kireeff afirmou que compreende e "vai respeitar" a decisão da Câmara, caso os textos fiquem para o próximo ano.

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