Kireeff dispensa alta de impostos municipais
Numa medida que vai na contramão dos governos federal e estadual, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) anunciou, durante a semana, a suspensão da revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), que afetaria diretamente o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e o envio de projeto de lei que amplia a faixa de isenção do tributo.
Entretanto, o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, disse não compreender a lógica das medidas do prefeito. "Primeiro, apresentou uma proposta que ele defendia como 100% necessária e, de repente, suspende. É 'oito ou 80'", diz, em referência ao ditado popular sobre extremos.
Kireeff justifica que, devido aos reajustes de tributos em outras esferas, a realidade não permite rever o imposto municipal, mas ele espera que os repasses para o município compensem as perdas locais. Para Cenci, a atualização da planta de valores é necessária por questões de justiça fiscal, mas defende aumentos escalonados, de forma diluída ao longo de anos.
O especialista, entretanto, elogiou a postura do prefeito em seu primeiro ano de governo, em comparação com as medidas adotadas por Dilma Rousseff (PT) e Beto Richa (PSDB) para consertar os caixas de suas administrações. "Logo no início, ele disse, com muita transparência, que não tinha dinheiro, que a situação era caótica e que o que poderia fazer era limitado. Ele deveria seguir essa lógica até o último ano de governo", diz.
Para ele, a postura deveria ser a adotada por todos os homens públicos do Brasil. "Mas, no quarto ano, o marqueteiro vai vender fantasias e, no quinto, traz o pacote amargo." (L.F.W.)





