Buenos Aires - O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, declarou que pretende discutir uma ''ampla agenda'' de assuntos com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita a Brasília na próxima quarta-feira. Kirchner afirmou que o desejo é o de ''potenciar o Mercosul para que este bloco tenha presença e decisão no contexto internacional''.
A viagem ao Brasil será a primeira visita oficial ao exterior, desde que tomou posse, no dia 25, e pretende ser um sinal de que a associação estratégica com o principal parceiro do Mercosul é a prioridade na política exterior argentina.
Kirchner explicou que a viagem ao Brasil é ''um compromisso'' pessoal que tomou com Lula. Este será o terceiro encontro entre os dois em 40 dias.
O primeiro ocorreu em 8 de maio, quando Kirchner visitou Lula, ainda em condição de candidato presidencial. O segundo foi em Buenos Aires, quando o presidente brasileiro compareceu para a posse presidencial argentina.
Em diversas ocasiões, ao longo do último mês, Kirchner afirmou que pretende aprofundar o lado econômico do Mercosul, mas que também pretende fazer do bloco regional um eixo político.
Estas afirmações foram acompanhadas de declarações ''frias'' em relação aos Estados Unidos e de que as ''relações carnais'' com o governo americano haviam ''acabado''.
Simultaneamente, o chanceler Rafael Bielsa declarava que a Argentina tinha de admitir que ''o líder da região'' era o Brasil.
Mas, no resto do governo o discurso de ''frieza'' com os EUA e ''paixão arrebatadora'' com o Brasil não está tendo o mesmo eco.
Ontem, o chefe do gabinete de ministros, Alberto Fernández, que é o braço direito de Kirchner, declarou que o governo argentino propõe uma ''relação madura'' com os EUA e que ''não pode viver somente do vínculo'' com o Brasil.
Segundo Fernández, ''a Argentina não é inimiga nem adversária dos EUA. Queremos ter uma relação madura'' com o governo americano. O homem de confiança do presidente também disse que a política externa argentina ''deve ser aberta para todo o mundo e fazer epicentro no Brasil, o que permite que a região se fortaleça, e nós também. Mas, não podemos viver apenas desse vínculo''.
Na véspera, o vice-presidente Daniel Scioli declarou que o aprofundamento do Mercosul ''não significa alinhamento automático com o Brasil''. As declarações de Scioli foram feitas em Miami, durante encontros com investidores americanos.
Amanhã, horas antes da partida de Kirchner ao Brasil, o secretário de Estados dos EUA, Collin Powell, desembarcará em Buenos Aires para uma reunião de uma hora com o presidente argentino.

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