Kirchner sugere maior praticidade ao Mercosul
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terça-feira, 10 de maio de 2005
Folhapress 
Brasília - Em jantar agendado pelo Palácio do Planalto para amenizar o clima de tensão com o governo argentino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu do colega Néstor Kirchner que o noticiário de atritos entre os países somente irá desaparecer da mídia no momento em que as propostas do Mercosul saírem do papel. Em conversa na Granja do Torto, que somente terminou no início da madrugada de ontem, o presidente argentino disse que o Mercosul precisa ser mais prático e propositivo, o que, na prática, evitaria especulações em torno das relações diplomáticas entre os vizinhos sul-americanos. O comentário do argentino recebeu o apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, também presente ao jantar de anteontem.
Kirchner declarou ao presidente brasileiro que só tem olhos para os problemas argentinos, e não para atritos considerados pequenos com o Brasil. ''Eu estou preocupado com o desenvolvimento da Argentina'', teria dito a Lula, segundo a reportagem apurou. Durante o jantar, no qual os três presidentes adotaram trajes esportivos para dar um tom de informalidade, tanto Lula como Kirchner admitiram que, em seus países, existem setores contrários à aproximação de brasileiros e argentinos, o que, para eles, é algo ideológico, mas normal. Ontem, assessores do Planalto rotularam de ''excelente'' as conversas.
Presente ao jantar, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que não houve nenhuma menção aos EUA durante a conversa. Questões comerciais dominaram o jantar, como os acordos tríplices no setor de petróleo. Neste ano, os atritos entre argentinos e brasileiros se acirraram, principalmente via declarações da cúpula de Kirchner veiculadas pela imprensa local. O primeiro dos episódios ocorreu logo após a morte do papa João Paulo II, quando o presidente argentino disse que a decisão de Lula de acompanhar o funeral, no Vaticano, foi o saldo de ''uma dívida pessoal'' que o presidente brasileiro, como ''dirigente sindical'', teria com o líder da Igreja Católica.
Na semana passada, os ataques argentinos vieram com mais força, com destaque às críticas do ministro Rafael Bielsa (Relações Exteriores) ao modelo de política externa adotado pelo Brasil. A Argentina sugeriu que o Planalto e o Itamaraty descumpriram acordo firmado para a emissão de um comunicado conjunto em relação à recente crise política no Equador.


