Brasília - A América do Sul tem que avançar e mostrar que não quer ser mais ''a parte traseira do mundo'', afirmou ontem o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, em discurso no Senado. Para ele, os países da região precisam ser parte ativa nas discussões com os outros blocos do planeta. Ele destacou a importância da integração regional, especialmente do Mercosul, e afirmou que os países vivem um momento de ''sérias definições''. ''Não temos o direito de construir novos fracassos. Nós temos que ter coragem de fortalecer a integração regional e o Mercosul para podermos discutir com os outros blocos'', afirmou.
Em seu pronunciamento, Kirchner destacou, também, as ações conjuntas de Brasil e Argentina nos diversos palcos de discussões internacionais, como a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Cúpula das Américas em que, segundo ele, os países demonstraram soberania. O presidente argentino disse, ainda, que ficou clara a mudança do relacionamento de Brasil e Argentina com o sistema financeiro internacional e na defesa de um comércio mais justo e, também, seu esforço para redução da desigualdade e da pobreza.
Nesse sentido, ele destacou o fato de os dois países haverem pago suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipadamente, ganhando liberdade para conduzir suas economias. ''Nossos povos decidiram romper com um passado que nos aprisionava. Não só pagamos toda a dívida com o FMI, mas, o mais importante, recuperamos a nossa total autonomia para decidir o que fazer com os nossos recursos em nossa economia'', afirmou Kirchner.

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