Arquivo FolhaAníbal Khury: ‘O partido não tem mais perspectivas de crescimento’O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, oficializa hoje o seu desligamento do PTB. O deputado deixa o partido depois de 12 anos, em meio a uma briga interna com o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira. ‘‘Não estamos mais nos entendendo bem e acho que o partido não tem mais perspectivas de crescimento’’, justifica Khury, que encaminha até o final da tarde sua carta de desfiliação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e ao presidente do diretório estadual, secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus.
O deputado explica que a linha adotada pelo senador José Eduardo não é a mesma defendida pelo seu grupo ‘‘para a reeleição do governador Jaime Lerner’’, em 98. ‘‘Eu acho que ele (José Eduardo) foi muito sacrificado com o fechamento do Bamerindus e o senador (Roberto) Requião acabou sendo um dos poucos a demonstrar solidariedade. É natural a sua aproximação com o PMDB, mas isso não está nos nossos planos. O Zé não quer acordo com o Lerner e nós queremos’’, justifica Aníbal Khury, que não participa da reunião agendada para esta semana entre o senador José Eduardo e as bancadas estadual e federal do PTB.
Na sua avaliação, a reunião convocada por Nelson Justus, há cerca de duas semanas e que decidiu pelo apoio antecipado ao governador Jaime Lerner, foi o estopim das desavenças entre ele (Khury) e o senador José Eduardo. ‘‘O Justus demonstrou inexperiência ao se precipitar. E tudo isso serviu para o Zé (Eduardo) nos criticar’’, assinala o deputado, lembrando que o PTB havia definido que os apoios só ocorreriam mais tarde, depois do retorno de Khury do exterior na semana passada.
Khury garante que a maioria dos deputados estaduais o seguirá. O deputado fica sem partido até que o grupo que lidera defina o rumo partidário que devam tomar. A simpatia manifestada pelo presidente da Assembléia ao PFL não convenceu ainda o grupo, que prefere aguardar uma definição do governador Jaime Lerner e ouvir o senador José Eduardo. ‘‘Eu pessoalmente tenho interesse em ir para o PFL’’, confessa o deputado, admitindo a possibilidade de ficar sem sigla até setembro. ‘‘O prazo máximo para a filiação dos candidatos às eleições do ano que vem só termina no dia 15’’, reforça.
Para ele, a transferência coletiva para o PFL não prejudicará os planos eleitorais dos deputados que trabalham pela reeleição. ‘‘Se PDT, PFL, PTB e PPB ficarem juntos no ano que vem, faremos 25 deputados estaduais e de 12 a 15 federais. Juntos, será uma enxurrada de votos’’, contabiliza Khury, apostando numa adesão dos 50 prefeitos que hoje estão filiados no PTB.

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