A demora do governador Jaime Lerner (PFL) em definir os nomes que vão concorrer à eleição majoritária de outubro, no Paraná, permitiu ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Aníbal Khury (PFL), costurar uma chapa que deverá ser levada às convenções estaduais do PTB e do PFL, amanhã. Lançada ontem pelo deputado, a chapa tem Lerner como o candidato à reeleição, o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) como vice-governador e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) como a candidata do grupo ao Senado.
Ao saber do anúncio de Khury, o governador convocou uma reunião às pressas com o coordenador executivo da campanha e seu amigo pessoal, o ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz, para avaliar os reflexos da proposta, que foi discutida noite adentro ontem. Khury participou da segunda parte da reunião e a expectativa entre os pefelistas era que o possível impasse seria solucionado. Lerner passou o dia conversando com seus interlocutores mais próximos e propondo como melhor saída seria o ‘‘acordo branco’’ com Álvaro Dias, repetir a chapa de 94 mantendo Emília como vice e não lançar nenhum nome ao Senado, o que irritou Khury.
A tese de um pacto informal com o PSDB teria se fortalecido ainda mais depois da conversa do governador com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por telefone, à tarde, e do vazamento do teor da carta do presidente ao ex-governador, manifestando nas entrelinhas vontade de ver Álvaro na disputa pelo Senado (leia mais nesta página). O governador aguardava com ansiedade o contato com o presidente. Sua viagem a Brasília foi cancelada pela assessoria de Fernando Henrique, por causa da morte inesperada do pai do ministro Paulo Renato Souza, no Rio Grande do Sul.
‘‘Não dá mais para esperar. Esse ‘acordo branco’ que estão querendo firmar com o Álvaro (Dias) é uma mancha negra’’, criticava o deputado Aníbal Khury, antes da reunião com Lerner à noite. O deputado declarou por volta das 17 horas ser contra ‘‘qualquer’’ composição informal com o PSDB. ‘‘Se os tucanos resolverem apoiar abertamente a reeleição do governador, a conversa é outra’’, afirmou. Khury acha que o pacto com Álvaro favorece apenas o candidato do PMDB ao governo, o senador Roberto Requião, que ficaria com a maior parte dos votos dos tucanos.
‘‘O Jaime que não venha dizer que o pescoço dele está em jogo porque o nosso está também. Essa chapa (Lerner-Pimentel-Emília) é a solução mais lógica’’, chegou a declarar Aníbal, muito nervoso. Ele disse ainda ser contra a pressão que estaria sendo exercida pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sobre o PFL e PSDB do Paraná. Para o deputado, o ideal é PFL e PTB levarem chapa pronta para as convenções e não adiarem a definição, como cogitavam ontem alguns setores lerneristas. De acordo com essa corrente, os encontros homologariam apenas a candidatura do governador à reeleição, deixando para o dia 30 o fechamento da chapa.
O presidente estadual do PTB, Emerson Palmieri, que passou a tarde conversando com Khury, disse que não vê problemas na chapa Lerner-Pimentel-Emília, ao contrário do presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira, que durante a semana declarou ser contra a participação de Pimentel na chapa.Marcelo AlmeidaDesacordoAnibal Khury: ‘‘Esse ‘acordo branco’ que estão querendo firmar com o Álvaro (Dias) é uma mancha negra’’Leandro Donatti

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