Reeleito pela oitava vez consecutiva, agora com 108.527 votos, Aníbal Khury (PFL) busca algo mais que o título do deputado estadual mais votado na eleição do Paraná. Em seu nono mandato, Khury quer ser o parlamentar que mais vezes assumiu a presidência da Assembléia Legislativa. Antes mesmo de ser proclamado o resultado oficial das eleições, ele já estava com o seu caderninho mantendo contatos com os possíveis eleitos, pois já sabia quem iria se eleger. Ontem, contabilizava o apoio de 41 dos 54 deputados que assumirão cadeiras em 1º de fevereiro de 99.
Esta será a quinta vez que Khury será presidente da Assembléia, três delas ininterruptas. Ninguém duvida que ele conseguirá superar o desafio. Influente em todos os governos - partido não é problema para Aníbal Khury negociar -, o deputado amarra seus apoios de forma habilidosa, o que o coloca sempre em evidência. Quando não foi presidente da Assembléia, foi primeiro-secretário. Khury assumiu essa função 13 vezes e em todas mandou muito mais que o presidente da Casa. Centralizador, tudo passava e passa por suas mãos.
O poder de Khury já colocou governadores em posição acessória. Nos meios políticos é comum se dizer que Aníbal Khury manda mais que muito governador que já passou pelo Palácio Iguaçu. ‘‘Isso é uma mentira. A única coisa que faço é exercer com plenitude a minha função de deputado e de presidente da Casa’’, desconversa. Khury não revela a fórmula que o mantém no poder, só diz que neste ano fez mais votos que nos anteriores porque percorreu o interior. ‘‘Com o passar dos anos, fico cada vez mais humilde, e este é o segredo’, resume.
Vaidoso e, segundo os adevrsários, implacável, o deputado é canceriano e não revela a idade. ‘‘Tenho 102 anos’’, brinca. Sua vida pública começou em União da Vitória, cidade hoje administrada por Pedro Ivo Ilkiva, do PT. ‘‘Ele é um homem sério. Não tenho nada contra o PT’’, diz Khury, que sempre esteve bem mais à direita. Seu primeiro partido foi a antiga União Democrática Nacional (UDN), partido pelo qual elegeu-se vereador em sua cidade aos 21 anos. Passou pelo PTN - no governo Jânio Quadros -, Arena, PP, PMDB, PTB e agora está alojado no PFL, partido de Antonio Carlos Magalhães, desde 1997. Tem ainda em seu currículo uma cassação de direitos políticos pelo regime militar.
Poderoso e temido, Aníbal Khury nem sempre tem suas vontades atendidas. Apesar de ter peso no círculo dos amigos que exercem influência sobre o governador Jaime Lerner, enfrentou em menos de meio ano duas situações desconfortáveis, para contrabalançar a sua trajetória de político bem-sucedido. Não conseguiu emplacar o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) como candidato a vice-governador na chapa de Lerner nem fazer valer na integralidade o seu projeto de lei que pretendia anistiar a cobrança de multas de trânsito, desde que entrou em vigência o Código Nacional de Trânsito. As multas continuaram valendo, mas Khury conseguiu, ao menos, a pequena vitória do perdão dos pontos somados na carteira dos maus motoristas.

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