Mesmo oficialmente afastado da Assembléia Legislativa, o deputado Anibal Khury (PFL) continua em intensas articulações políticas, acompanhando todos os passos do governo do Estado. Ontem, ele antecipou que tomará providências legais para participar e fiscalizar de perto todos os atos da comissão de desestatização da Copel, anunciada anteontem pelo governador Jaime Lerner (PFL). Khury afirmou que é a favor de privatizações, mas poderá ser contra a venda da Copel. ‘‘Sempre fui privatista, mas estou com a intenção de trabalhar contra a privatização da Copel porque as privatizações que ocorreram até agora não deram qualquer tipo de resultado’’. ‘‘Tudo está virando uma completa bagunça’’, emendou.
Mesmo se posicionando contra a privatização da Copel, o presidente da Assembléia disse que o Estado não tem outra alternativa financeira para sair da crise. ‘‘A verdade é que se o governo não privatizar a Copel, entrará em falência total’’, definiu ele.
A privatização da Copel é apenas uma das batalhas que deverão ser travadas pelo deputado na volta à presidência na próxima segunda-feira. De acordo com Khury, entre as discussões estão o apoio ao fim da ‘‘indústria das multas de trânsito’’ e sua terceirização, além da composição para a melhoria dos recursos de gabinete dos deputados.
Até a semana passada, um grupo de parlamentares governistas, liderados pelo deputado Hermas Brandão (PTB), articulava um aumento de verbas de gabinete via resolução. Para Khury, não haverá qualquer tipo de aumento de verbas ou mudança no atual pagamento das cotas de assistência social. ‘‘Eu sou o presidente da Assembléia e ele (Hermas) é o primeiro secretário, eu sou o chefe do Poder e ele o fiscalizador das despesas’’, afirmou Khury, dizendo que as normas da Casa são ditadas por ele e devem ser respeitadas pelos demais parlamentares.
Khury disse que estudará uma forma de informatizar os gabinetes e ajudar nos custos com a infra-estrutura, mas sem o reajuste de salários. ‘‘Não podemos fugir da Constituição’’, disse ele. Atualmente, os deputados estaduais recebem R$ 6 mil por mês, além das verbas de ressarcimento (R$ 3,5 mil) e assistência social (R$ 3,5 mil).
O deputado Hermas Brandão (PTB) reagiu dizendo que quer discutir com Khury melhorias da infra-estrutura dos gabinetes, na próxima semana. ‘‘Não queremos aumento de verbas, apenas melhorias’’, alegou Brandão.

mockup