Arquivo FolhaReceioAníbal Khury: ‘O Requião e o Álvaro podem se empolgar com a situação e não dá para brincar nessas horas’O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PTB), criticou ontem a postura de ‘magistrado’ adotada pelo governador Jaime Lerner (PFL) na briga travada entre a vice-governadora Emília Belinati (PTB), o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), e o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), pela indicação ao Senado. ‘‘O governador está completamente errado. Anda abusando da sorte que lhe acompanhou até agora e se esquece que quem chega na frente sempre bebe água fresca’’, avalia.
Khury diz que a indefinição sobre o nome do candidato ‘‘fortalece’’ os adversários. ‘‘O (Roberto) Requião e o Álvaro (Dias) podem empolgar os eleitores. Não dá para brincar nessas horas’’, diz. O deputado cobrou do governador o cumprimento do ‘pacto’ firmado com Emília, há cerca de três meses num almoço com o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), na Assembléia, e que serviu para aparar ‘arestas’ de Lerner com a vice. ‘‘Eu fui testemunha que ele deixou para ela escolher se queria ser candidata a vice ou ao Senado. A dona Emília já escolheu e precisa ser avalizada’’, observa.
O presidente da Assembléia, que faz lobby também para ‘emplacar’ o secretário da Agricultura Hermas Brandão (PTB) como o vice no ‘chapão’ de Lerner em 98, lembra que a campanha do ex-governador Paulo Pimentel (PFL) ao governo começou com dois anos de antecedência, o que garantiu a vitória sobre Bento Munhoz da Rocha. ‘‘Ele (Pimentel) foi registrado na Justiça Eleitoral antes e a sua candidatura teve de ser engolida mais tarde. Precisamos ter uma chapa já definida para não sermos atropelados pelos acontecimentos’’, assinala.
Khury disse que passou os dois últimos dias analisando o quadro sucessório do Paraná. O presidente da Assembléia convalesce de uma distensão muscular na região lombar, o que lhe obrigou a ficar ‘‘de molho’’ em casa. ‘‘Eu sou de avançar, o Lerner não. Ele prefere deixar as coisas mais para frente para ver no que vai dar. Mas isso não está certo. Só teria sentido atitude como essa (de isenção na escolha do candidato) se o regime fosse hereditário’’, provoca o deputado ao reforçar ‘‘a diferença de estilos’’.
Para justificar a preferência por Emília Belinati e não criar atrito com Greca e Stephanes, Aníbal Khury já está com o seu discurso pronto. ‘‘Você não faz uma chapa sem correr um pouco de sangue. O Rafael Greca é um excelente nome para a Câmara Federal. O Carlos Lacerda, o Olavo Bilac Pinto, e o José Maria Alckmin nunca foram senadores. Esse rapaz (Greca) vai brilhar como deputado’’, declara. ‘‘E o Stephanes vem se mostrando um excelente ministro da Previdência. Deve ser reconduzido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso’’, emenda.

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