Khury prevê aprovação da venda da Copel
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Patrícia Zanin 
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL), disse ontem que, do que depender da Casa, a privatização da Copel vai passar. Sou a favor de todo e qualquer tipo de privatização, de entrega de estatal ao capital privado. A única coisa a observar é o preço, que tem de ser compatível. Não se pode vender a empresa a preço de banana, argumentou. O governo ainda não fala sobre valores. O projeto deve ser apresentado ao governador Jaime Lerner (PFL) pelo presidente da Copel, Ingo Hubert, e pelo secretário de Planejamento, Miguel Salomão. Lerner retorna amanhã de viagem à África do Sul.
Para o PMDB, a intenção do governo de vender a Copel corresponde a um desastre que vínhamos alertando há muito tempo. O secretário-geral do PMDB, José Maria Correia, disse que o partido pretende evitar qualquer tipo de negociação que comprometa o patrimônio público. Água e energia não podem ser objeto de lucro desenfreado. A população necessita de preços subsidiados, defendeu.
Ele reclamou do fato de a Sanepar ter eliminado tarifas sociais e disse que a Copel corre o mesmo risco, caso seja vendida. A empresa é padrão, uma das melhores, senão a a melhor do Brasil e vendê-la para pagar dívidas mal contraídas é um disparate, criticou. Para o dirigente, os setores mais expressivos setores da sociedade são contrários à venda de estatais modelos. Ainda mais num momento desse, com as bolsas em baixa. Seria predatório e um péssimo negócio, avaliou.
Correia acusou o governo de ter varrido para baixo do tapete durante o período eleitoral a privatização da Copel e promete colocar em alerta os deputados do PMDB na AL, embora a oposição seja minoria, além dos outros representantes do partido. Vamos fiscalizar e, se necessário, acionar o Ministério Público e o Judiciário, ameaçou.
Ele disse ainda que a venda parece desespero para pagar conta. Nesse momento de crise o governo precisaria adotar um projeto de austeridade, eliminando secretarias e reduzindo gastos públicos. E que essa despesa de 334 milhões de reais com propaganda não se repita. Ela poderia ser de um por cento, opinou.
Corte no custeio do Estado de R$ 10 milhões por mês está previsto pelo secretário de Administração, Reinhold Stephanes Júnior, que apresentará plano de enxugamento de gastos ao governador.
Requião O senador Roberto Requião, candidato derrotado do PMDB ao governo do Estado, retorna domingo ao Paraná, de onde está ausente desde o resultado de 4 de outubro. Na segunda-feira, ele janta com lideranças do PMDB e na terça, inicia um roteiro de visitas ao interior para agradecer a votação nas cidades onde foi bem votado como Maringá, Cascavel e Guarapuava. O roteiro de visitas ainda não está fechado e não termina na próxima semana. (Colaborou Leandro Donatti)


