Khury instala CPI, que tem 120 dias para atuar
Khury instala CPI, que tem 120 dias para atuar
O presidente da Assembléia Legislativa, Anibal Khury (PFL), anunciou ontem a formação da CPI para investigar a transação comercial realizada entre a Prefeitura de Londrina, Sercomtel, Copel e banco FonteCindam. A comissão será formada por membros do PFL, PTB, PPB, PMDB, PSDB, PT e PDT e terá 120 dias para investigar supostas irregularidades. Os líderes dos partidos terão o prazo de 48 horas para indicar os membros da comissão, que começam a trabalhar na quinta-feira.
A CPI deverá iniciar as investigações pela Copel. Segundo o deputado Durval Amaral (PFL), a Copel terá que explicar os valores pagos pela compra de 45% das ações da Sercomtel e as formas de pagamento realizadas na transação comercial. Os parlamentares também irão solicitar documentos às demais instituições citadas.
De acordo com os deputados, as transações FonteCindam, Prefeitura de Londrina e Sercomtel se iniciaram durante a administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), que fez empréstimo de R$ 22 milhões no banco, caucionando ações da Sercomtel. O empréstimo venceu na atual administração, que renegociou a dívida. Logo depois, a Copel comprou 45% das ações da Sercomtel e teria pago a dívida com o Fonte Cindam no valor de R$ 47 milhões.
A Prefeitura de Londrina afirma que a operação de recompra das ações, em maio de 98, trouxe para os cofres do município resultado positivo de cerca de R$ 100 milhões, obedecidas todas as regulamentações legais. A venda de ações para a Copel foi uma operação bem sucedida que fortaleceu empresarialmente a Sercomtel, agregou novos negócios ao seu universo de atividades, manteve o controle administrativo da empresa no município e preservou centenas de empregos diretos e indiretos, diz a Prefeitura, em nota à imprensa.
Segundo o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), o Estado irá prestar todos os esclarecimentos necessários à CPI. Estamos aptos a prestar todos os esclarecimentos, com a maior lisura o possível. Para Rossoni, assim que a Copel explique as dúvidas dos deputados, a questão deixará de ser estadual e deverá ser debatida na Câmara de Londrina. Estamos entrando num assunto que não pertence à Assembléia e, sim, à Câmara de Londrina.
A Câmara de Londrina deve votar hoje o requerimento que pede abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o caso. O documento também pede a investigação sobre os destinos do dinheiro da privatização da Sercomtel. Dez dos 21 vereadores londrinenses assinaram o requerimento, mas, de acordo com a presidência, para ser aprovado são necessários 11 votos. Temos esperança de conseguir, afirmou ontem a vereadora Elza Correia (sem partido). A investigação na Assembléia pode correr paralela à de Londrina e a instalação da CPI em Curitiba reforça a necessidade de uma comissão aqui.
Já o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), disse que a CPI na Assembléia tira o motivo da investigação local. Se a CPI mostrar que houve irregularidade envolvendo a Copel e estando a Sercomtel comprometida, aí poderemos apurar. Mas enquanto a investigação em Curitiba não for concluída, não tem motivo para investigar aqui, afirmou. (L.P. e Patrícia Zanin)





