Khury insiste na saída de Neco Garcia
Presidente da Assembléia volta de viagem e retoma defesa da troca de toda a diretoria do banco, incluindo seu filho
José Fernando da Silva

Arquivo Folha
Fora do tomNeco: pressão caracterizaria interferência indevida entre os poderesDepois de 15 dias em viagem por países da Europa e dos Estados Unidos, o presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Aníbal Khury (PFL), voltou ontem a defender em Curitiba a substituição da atual diretoria do Banco do Estado do Paraná (Banestado). ‘‘Sou pela profissionalização da diretoria do banco’’, afirmou Khury, deixando claro que ele quer não só a saída do presidente, Neco Garcia, mas de toda a diretoria, inclusive a de seu filho Ricardo Sabóia Khury, que é diretor de Crédito Imobiliário do Banestado.
O braço-de-ferro mantido entre a Assembléia e o empresário londrinense começou quando Neco disse que grande parte da culpa pelos problemas do Banestado cabe aos deputados, que ‘‘devem e não pagam’’.
A apreciação do projeto de lei para o saneamento e posterior privatização do Banestado na Assembléia Legislativa fica condicionada à substituição da diretoria. O governo previa enviar este projeto ainda esta semana para o Legislativo, mas Aníbal Khury negou que tivesse tido qualquer contato com o secretário da Fazenda Giovani Gionédis. ‘‘Eu não liguei para o secretário nem ele ligou para mim.

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Todos foraAníbal Khury: ‘‘Sou pela profissionalização da diretoria do banco’’Gionédis preferiu não comentar as declarações do presidente da Assembléia. ‘‘Se for sobre o Banestado, eu não tenho nada a declarar’’, afirmou. Para ele, qualquer comentário poderia ‘‘enterrar’’ de vez o banco. ‘‘Não quero que se repita o que aconteceu com o Bamerindus’’, advertiu o secretário.
‘‘A situação do banco hoje não é brincadeira’’, disse Khury, afirmando que os prejuízos acumulados desde o anúncio do saneamento do Banestado já somam R$ 500 milhões. As críticas feitas por Neco Garcia aos militares paraguaios também poderiam ter afetado a credibilidade do Banco Del Paraná, braço do Banestado no Paraguai.
CPI Ontem os deputados de oposição ainda tentavam levar adiante a proposta da formação de uma CPI, para investigar o Banestado. O deputado Caíto Quintana (PMDB) contabilizava 16 assinaturas das 18 necessárias para a CPI. ‘‘Se for possível conseguir pelo menos mais uma, é possível que se chegue facilmente a 20 assinaturas’’, disse. Quintana negou que este processo possa fragilizar ainda mais a instituição financeira.
O deputado Ângelo Vanhoni (PT) também defende a CPI do Banestado, mas não a privatização do banco. Vanhoni pretende trazer deputados do Rio Grande do Sul para que eles expliquem como foi o processo de saneamento do Banrisul, que não precisou passar para a iniciativa privada, embora apresentasse um rombo no caixa maior do que o do Banestado.
Ao comentar a disposição da AL, o presidente do Banestado, Neco Garcia, afirmou: ‘‘Quando se ferem interesses, é natural que o grupo prejudicado se rebele’’.

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