Khury defende reajuste do pedágio
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terça-feira, 09 de março de 1999
Leandro Donatti 
O presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Aníbal Khury (PFL), defendeu ontem à tarde em Curitiba o reajuste das tarifas de pedágio cobradas nas rodovias do Anel de Integração. O deputado disse que a redução linear de 50% concedida em julho do ano passado deu-se num momento eleitoral e que os índices atuais estão abaixo dos cobrados por exemplo, nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Temos de ser realistas. O governo fechou um contrato num momento inadequado, antes das eleições, e agora precisa corrigir essa situação, observou. Segundo o deputado, a manutenção das tarifas originais poderia ter comprometido a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), seu aliado. Não havia tempo para preparar o povo. Se não baixasse, ele poderia perder a eleição, assinalou.
Khury tem mantido contatos com o secretário de Transportes, Heinz Herwig, para tentar aproximar o governo das concessionárias. Na semana passada, um movimento integrado por Durval Amaral (PFL) e Divanir Braz Palma (PPB) também pregou o mesmo discurso. Governo e concessionárias brigam na Justiça. O governo tenta forçar a execução de obras. Enquanto que as concessionárias exigem novas tarifas.
Khury disse ainda que, se fosse o governo, faria um estudo técnico para se chegar a um índice de reajuste. E eu aumentaria o necessário de uma só vez. O que é ruim a gente só faz uma vez, declarou o deputado. Ele disse que Lerner não deve temer reflexos negativos. Temos que nos preocupar com a qualidade das estradas e com a duplicação de trechos fundamentais para o escoamento da safra.
A campanha de Khury tende a se consolidar na base aliada do governo. Ninguém assume o discurso oficialmente. Divanir Braz Palma disse na semana passada que um reajuste de 30% mais ou menos poderia ser uma alternativa para a retomada de diálogo entre governo e concessionárias. A base eleitoral do deputado protestou. Diante da reação, ele recuou e nos últimos dois dias tem negado suas declarações.
Segundo ele, quis defender apenas a retomada do diálogo, tirando o assunto da esfera judicial, passando o mesmo a ser analisado politicamente. Durval Amaral também pregou a duplicação de trechos interrompidos com a briga judicial. Para ele, eventuais alterações de preços podem perfeitamente ser absorvidas pela população. O deputado entende que a situação, como está, só traz desgaste ao governo.
A oposição está atenta à movimentação da base aliada. O líder do PT, Péricles Mello, articula a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto, mas não conta com o apoio da maioria. O petista diz ter informações extraoficiais de que haverá um aumento de 70% das tarifas nos próximos dias. O governo não confirma a informação e diz que está apenas refazendo cálculos (leia mais nesta página).


