Arquivo FolhaJogo de cinturaAníbal Khury: manobra para evitar instalação de CPI O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PTB), anunciou ontem a convocação de toda a diretoria do Banestado para uma sessão secreta na próxima semana. Khury quer que Domingos Murta Ramalho e sua equipe esclareçam as dúvidas dos deputados estaduais quanto à emissão de debêntures e a compra de títulos públicos sob suspeita de irregularidades.
A convocação de Murta e os demais diretores do Banestado, incluindo Ricardo Khury, diretor de crédito imobiliário do banco e filho de Aníbal Khury, é uma tentativa de evitar a instalação de uma CPI na Asssembléia Legislativa para investigar as operações da Banestado Corretora e da Banestado Leasing. A sessão secreta ainda não tem dia marcado, o que dá tempo ao governo.
O deputado Ângelo Vanhoni (PT), um dos articuladores da CPI do Banestado, deve viajar hoje a Brasília para solicitar documentos à CPI dos Títulos Públicos. Vanhoni quer cópia do relatório da senadora Emília Fernandes (PTB-RS) sobre a ‘‘dança’’ dos títulos públicos no mercado secundário e do depoimento do empresário Fausto Solano Pereira, dono da Boasafra.
‘‘Esses documentos serão fundamentais para embasar o pedido de instalação da CPI. O Fausto Solano citou os nomes do presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, e do governador Jaime Lerner em seu depoimento. Isso precisa ser investigado’’, afirmou Vanhoni.
Na terça-feira, Solano revelou na CPI que era sócio de Mário Petreli na corretora que operou os títulos de Santa Catarina. Petreli é proprietário da TV Independência no Paraná e foi chefe de gabinete de Jorge Bornhausen no Ministério da Educação, no governo Figueiredo. Bornhausen foi um dos principais financiadores da campanha de Paulo Afonso Vieira em Santa Catarina. Petreli era sócio de Joaquim dos Santos Filho na TV Independência. Santos Filho é pai de Osvaldo Magalhães dos Santos, presidente da Banestado Leasing na época da emissão de debêntures sob suspeita da oposição.
Por enquanto, o pedido CPI não conseguiu as 18 assinaturas necessárias. O PMDB só deve fechar questão na próxima segunda-feira e, mesmo assim, não deve conseguir mudar a posição dos deputados Durval Amaral, Cleiton Crisóstomo e Sâmis da Silva, que não apóiam a CPI.
A oposição também não conseguiu avançar no PSDB. Apenas três tucanos admitem assinar o requerimento: Ricardo Chab, Antonio Anibeli e Carlos Simões.
Se falta apoio na Assembléia, o pedido de CPI ganha estímulo na Câmara dos Deputados. O deputado Affonso Camargo (PFL) disse ontem que ‘‘acho que seria salutar fazer-se uma tomografia buscando-se verificar se existe algum tumor no Banestado a ser extirpado’’.

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