Brasília - Sem comentar "detalhes operacionais" do programa de espionagem promovido pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, defendeu a coleta de informações pela inteligência do seu País. "Os EUA adotam a inteligência, assim como todas as nações, para proteger os nossos cidadãos", resumiu ele, em visita ontem a Brasília.
Kerry respondeu a uma pergunta de jornalista sobre as denúncias divulgadas com base em informações vazadas pelo ex-analista da NSA Edward Snowden, segundo as quais os americanos coletam dados sigilosos da rede, inclusive de cidadãos brasileiros. "Estamos convencidos que a nossa coleta de informação ajudou a proteger a nossa nação de uma série de ameaças e que também protegeu brasileiros", disse o chefe da diplomacia americana.
Ele destacou que a atuação dos americanos está baseada em lei aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011, e que conta com a supervisão do judiciário. Kerry também disse que os Estados Unidos vão atender aos questionamentos levantados pelo governo brasileiro sobre os métodos para a obtenção dessa informação.
Já o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, recebeu ontem o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e afirmou que pediu informações sobre as atividades da NSA. "Hoje, enfrentamos um novo desafio na relação (dos dois países): as notícias de interceptação de comunicação de brasileiros", disse o ministro. "Esse processo de esclarecimento não é um fim em si mesmo", disse. "Esclarecimentos estão sendo solicitados e ouvi-los não significa aceitar o status quo."
Patriota cobrou transparência dos americanos. "Consideramos que os EUA não encontrarão melhor parceiro no combate ao terrorismo, na medida em que as informações sejam levadas a cabo de forma transparente", concluiu.

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