Curitiba – Convidado de honra da cerimônia de posse do novo chefe da Casa Civil do Paraná, Eduardo Sciarra (PSD), o ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), se dispôs ontem a atuar como uma espécie de ponte entre os governos estadual e federal. Aliados de longa data, os dois políticos participaram, há quatro anos, da fundação nacional do PSD, sigla idealizada pelo ex-prefeito de São Paulo. Além de Kassab, compareceram à solenidade no Palácio Iguaçu, em Curitiba, o governador do Estado, Beto Richa (PSDB), a vice-governadora, Cida Borghetti (Pros), o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), e parlamentares de diferentes partidos.
"Nossa presença tem o objetivo de, seja com as principais cidades do Estado, seja com o governo, elaborar um plano de ação e estabelecer parcerias, para que possamos, em especial no campo da infraestrutura, definir metas e investimentos", afirmou o ministro. Questionado sobre a possibilidade de estreitar relações com o Executivo municipal, pelo fato de Kireeff também ser do PSD, porém, ele desconversou. "Para o ministério, não existe partido; o ministério é do País. Portanto, não se olha a filiação de nenhum prefeito. Nós vamos agir em relação a todas as cidades com uma motivação muito grande."
Sem dar detalhes, Kassab e o governador adiantaram que, após a posse, se reuniriam com os três secretários executivos da pasta e com os principais nomes do primeiro escalão estadual para já definir algumas ações. "Temos aqui várias demandas nas áreas de habitação popular e de mobilidade urbana. Também fizemos um pedido de cerca de R$ 1 bilhão para o saneamento do Estado. Enfim, são diversas as áreas em que o ministro pode nos ajudar", explicou Beto.
Durante todo o evento, o clima foi de cordialidade, bem diferente do tom que permeou a última campanha eleitoral. A suposta discriminação da União para com o Paraná foi um dos temas mais explorados pelo tucano no pleito de outubro. "O Kassab tem essa posição, até pela orientação do segundo período do governo federal, e eu tenho com ele uma excelente relação, um bom entendimento, até uma amizade, o que que vai facilitar o entrosamento...Eu me sinto aliviado", discursou.

"ACESSO PRIVILEGIADO"
Apesar da fala do ministro, Kireeff avisou que espera, nos quatro anos seguintes, obter um "acesso privilegiado" na Casa Civil e no governo federal, por conta da sua proximidade com Sciarra e Kassab. "Nós temos vários projetos em andamento junto ao Ministério das Cidades e agora a nossa expectativa é que haja agilidade e que esses projetos tenham a sequência garantida dentro desse cenário que realmente não é o mais confortável a nível federal." O prefeito não adiantou, contudo, quais seriam os pleitos mais urgentes a serem feitos aos dois aliados.
O chefe da Casa Civil também garantiu manter um bom relacionamento com Kassab e Kireeff. "Sem dúvida, já existe um diálogo muito profícuo. O Kassab é um companheiro de longa data. Temos essa relação muito próxima e ela será útil, evidentemente, para todo o Paraná. E o prefeito de Londrina terá também a sua vantagem." Londrinense, mas radicado em Cascavel (Oeste), onde está seu domicílio eleitoral, Sciarra foi deputado federal por três mandatos, tendo desistido de concorrer à reeleição para coordenar a campanha do governador.
Tanto ele como Beto rebateram, ainda, as afirmações de que o município estaria "desprestigiado" no segundo mandato. "Londrina tem projetos importantíssimos. Eu mesmo sou nascido em Londrina e me orgulho muito disso", disse Sciarra. "Londrina? A minha terra natal? É a cidade que tem mais representantes no governo: tem o principal deles, que é o governador, a Maria Tereza Uille Gomes (Justiça), o meu irmão (José Richa Filho, na Infraestrutura), o Sciarra... Já temos um grande volume de investimentos na cidade e vamos manter esse ritmo de trabalho", garantiu o tucano.

mockup