Kassab defende projeto de restrição a novos partidos
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Eduardo Bresciani e João Domingos <br>Agência Estado 
Brasília - Menos de dois anos depois de conseguir criar seu próprio partido político, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (SP), defendeu ontem a aprovação do projeto que restringe benefícios a novas legendas com o argumento de que ele evitaria ''aventureiros''. Depois de uma tentativa frustrada na quarta-feira, a proposta deve ser aprovada pela Câmara dos Deputados nas próximas semanas e atrapalharia iniciativas como a da ex-candidata à presidência Marina Silva, que tenta fundar a Rede.
''Essa brecha (de criação de partidos) é para ser utilizada por partidos sérios. Essa brecha não pode ficar à disposição de aventureiros, de um grupo de pessoas que nós sabemos que só querem vender tempo de rádio e TV'', afirmou Kassab. Mas ele fez questão de ressaltar que Marina não está entre os que considera aventureiros e disse estar ajudando-a no processo de fundação.
O projeto em tramitação na Câmara retira das novas legendas o acesso ao fundo partidário e tempo de propaganda gratuita na televisão de acordo com suas bancadas. Pela lei que regula o tema, 95% dos recursos do fundo partidário são distribuídos levando em conta o número de votos dos deputados eleitos. Em relação à propaganda na TV, dois terços do tempo tem como base o número de parlamentares na Câmara. O PSD de Kassab conseguiu na Justiça acesso a essa fatia, o que se pretende agora vedar às novas legendas.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também defende a aprovação da mudança. ''É um projeto importante porque impede essa evasão de parlamentares de maneira desordenada'', justificou. Alves reconheceu ter sido um erro pautar a matéria nessa semana sem negociação prévia, mas confirmou que o tema será debatido novamente em plenário.
O líder do PSB na Casa, Beto Albuquerque (RS), classifica o projeto como um ''golpe''. Ele criticou possível apoio do governo federal à iniciativa. ''Sei que há maioria para produzir casuísmo eleitoral e lamento que o governo se envolva em questões eleitorais, questões partidárias'', afirmou.


