Arquivo FolhaFacão‘‘O que não tiver indicação de receita será cortado’’, avisa o ministro do Planejamento, Antônio KandirO ministro do Planejamento, Antônio Kandir, informou ontem que o corte no Orçamento-Geral da União de 98 será mesmo de no mínimo R$ 5,4 bilhões, como determina o pacote de ajuste fiscal. Em janeiro, o governo terá condição de anunciar a redução orçamentária de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Os outros valores virão depois e possivelmente atingirão emendas de parlamentares, que estouraram o Orçamento em mais de R$ 1 bilhão, com suas propostas individuais. ‘‘O que não tiver indicação de receita será cortado’’, afirmou Kandir.
Com o aperto orçamentário e outras medidas que foram tomadas, o governo espera começar a reduzir as taxas de juros, disse o ministro. Ele não pôde dar garantias porque a medida depende do Banco Central e de fatores externos, como a crise mundial. Mas é possível que depois da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira, seja anunciada alguma queda pequena nos juros. Kandir disse que a intenção é criar nos investidores internacionais e nos brasileiros a certeza de que os juros foram lá para cima, mas vão estar sempre em uma curva descendente. ‘‘Isto é muito importante’’, afirmou.
A queda dos juros, segundo Kandir, é uma necessidade objetiva. Primeiro, porque ela ajuda a reduzir o desemprego; segundo, porque pode ameaçar a estabilidade do próprio País que adota taxas altas. O ministro admitiu que a alta dos juros tem culpa no aumento do desemprego e na ameaça que paira sobre o setor automobilístico. ‘‘Não é a razão principal, porque nestes casos isolados existem muitos fatores; mas que ajuda a desempregar, não há dúvida’’, afirmou Kandir.
Segundo o ministro do Planejamento, a repetição de crise no Sudeste Asiático, como a queda das bolsas de Hong Kong e Seul, no meio da semana, já era prevista pelos técnicos da área econômica brasileira. ‘‘Por isto, fizemos o ajuste fiscal, porque não podíamos deixar que aqui ocorresse fato semelhante’’, disse. Um exemplo dado pelo ministro do que não pôde ser previsto foi a queda da bolsa de Tóquio. Por aquela crise o Brasil não esperava.
Se o Congresso aprovar as reformas administrativa e da Previdência, o Brasil terá condição de reduzir ainda mais os juros, disse o ministro do Planejamento. É que a economia projetada para a Previdência nos 10 anos seguintes à entrada em vigor da emenda constitucional é de R$ 79 bilhões; e da reforma administrativa, de R$ 8 bilhões a cada ano. ‘‘Cada aprovação de uma medida desta é um ótimo indicador para todos os investidores, porque mostra a preocupação do Brasil em reduzir o seu déficit público’’, disse o ministro.

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