Os 90 dias de licença médica concedidos ao vereador Roberto Kanashiro (PSDB) devem ser suficientes para que ele se recupere da cirurgia neurológica a que foi submetido e retome as funções na Câmara de Londrina. Essa é a opinião do neurocirurgião Mauri Aparecido Raphaelli, responsável pela intervenção feita no vereador.
Os dois concederam entrevista coletiva à imprensa, ontem, para esclarecer o estado de saúde do representante do Legislativo municipal. De acordo com o médico, Kanashiro sofria de neuralgia do nervo trigêmio, o que provocava dores intensas e alterações na visão, fala e audição. Como os medicamentos administrados não foram suficientes para conter a dor, optou-se pela cirurgia de descompressão do nervo afetado.
Durante a intervenção, o médico observou o comprometimento de outros dois nervos que afetam funções faciais e auditivas, que também passaram por descompressão. O vereador já recuperou-se da paralisia facial, mas continua com perda auditiva do lado esquerdo. Por isso, ainda perde o equilíbrio, principalmente em locais de maior tumulto, o que o impediria de exercer o trabalho na Câmara. ''É a mesma sensação de passar mal em navios'', comparou o médico, para quem o vereador deve estar apto a voltar ao trabalho ''com tranquilidade'' depois de 90 dias.
Bem disposto apesar dos problemas de saúde, Kanashiro - que perdeu 14 quilos durante o tratamento - agradeceu a compreensão dos companheiros de trabalho e da população, desculpando-se por não ter tido condições de explicar a ausência anteriormente. ''Sofri dores muito intensas'', contou.
Ele revelou que já está recuperado das lesões no nervo trigêmio, onde o problema foi inicialmente diagnosticado. ''Se fosse só esse nervo, já estaria de volta. O problema é que havia outros dois nervos afetados. A recuperação da audição e do equilíbrio está sendo mais lenta'', disse.
Ontem à tarde, o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), convocaria o primeiro suplente do PSDB, o médico Márcio Almeida, para assumir o lugar de Kanashiro, que continua recebendo salário, mas perde os recursos para manter o gabinete durante o período de afastamento.
O presidente do PSDB em Londrina, Claudemir Molina, informou que representantes do partido se reuniriam no final da tarde com Almeida para chegar a um consenso, já que a aceitação implicaria em licenciamento da Universidade Estadual de Londrina, onde é professor. Ele tem 15 dias para decidir. Caso decline da cadeira, o processo será repetido com o segundo suplente, Amauri Cardoso. O terceiro suplente é o próprio Molina. No final do dia, porém, e apesar da convocação da Câmara, a decisão acabou adiada para a segunda-feira. ''O Márcio vai conversar com o Kanashiro, com o grupo que o apoiou (a Almeida) na campanha e com a Executiva do partido para só então, na segunda, anunciarmos se será ele ou o Amauri o suplente'', afirmou Molina.
Sobre a saída de Kanashiro, o presidente do partido afirmou que ''é apenas um tempo para ele se recuperar''.

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