Kanaan lidera máfia libanesa
Da Redação
A CPI do Narcotráfico está próxima de desmontar um dos maiores esquemas de sustentação do crime organizado no Brasil. O esquema envolve o tráfico internacional de armas, sistemas clandestinos de telecomunicações e lavagem de dinheiro. A peça-chave das investigações é o libanês Elias Mikhael Kanaan, dono da casa de câmbio Elyas Tour, no Rio de Janeiro. A CPI já encontrou as pistas que ligam Kanaan ao tráfico internacional de armamento pesado, contrabando de pedras preciosas e a utilização ilegal de satélites para a montagem de sistemas de comunicação. Kanaan é membro de um dos braços da máfia libanesa que atua no Brasil.
A CPI descobriu nas últimas semanas que Kanaan e pessoas ligadas a ele estiveram envolvidas com a venda de material bélico para governos e grupos armados de países da América Latina e Oriente Médio. Ele já foi investigado pelo FBI, o serviço secreto dos Estados Unidos, onde é tratado como um dos grandes traficantes de armas do mundo. A PF suspeita que o grupo ligado a Kanaan está envolvido com o tráfico internacional de drogas e fornece armas pesadas para o crime organizado brasileiro.
Um processo com doze volumes, que o envolve em diversos crimes, corre em segredo de Justiça na Procuradoria-Geral da República. Este processo chegou ao conhecimento da CPI no final do ano passado, quando a casa de câmbio de Kanaan, no Rio de Janeiro, a Elyas Tour, começou a ser investigada por suspeita de lavagem de dinheiro. Estas investigações começaram depois que a Folha de Londrina/Folha do Paraná em conjunto com o jornal Correio Popular, de Campinas, publicaram as primeiras reportagens sobre Maurício D., considerado o cérebro financeiro do crime organizado no Brasil.
Nas investigações da Folha e do Correio, a Elyas Tour aparecia como uma das doze casas de câmbio espalhadas pelo Brasil e envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro montado por Maurício D.. No começo pensamos que Kanaan era apenas uma das peças da estrutura. Conforme investigamos, descobrimos o alcance de suas operações, afirma o deputado Robson Tuma (PFL-SP).
Em 1995, Kanaan foi investigado pela Polícia Federal depois que seu nome apareceu envolvido em um assassinato. O libanês Nasser Musthapa Beydoun, naturalizado americano, foi morto com um tiro na nuca, no apartamento onde vivia, no Rio de Janeiro. A Polícia interceptou ligações telefônicas de pessoas próximas a Musthapa, entre elas Elias Kanaan. A partir destes telefonemas, foram descobertos vínculos de Mustapha, Kanaan e do também libanês Ghassan Rachid Khazen com o tráfico de armas e drogas.
Kanaan chegou a ser preso, como um dos suspeitos. Em sua agenda a PF encontrou o nome de vários policiais que estariam ligados ao seu esquema e também do deputado federal Wanderley Martins de Brito (PDT-RJ), que recebeu dinheiro de Kanaan para sua campanha.





