O trecho da Rua Sergipe em frente ao prédio que abriga a 10ª Subdivisão Policial, na área central de Londrina, estava quase deserto na tarde de ontem quando uma viatura da Polícia Civil chegou trazendo no banco traseiro Kakunen Kyosen, 57 anos, ex-presidente da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
Dentro do veículo também estavam os delegados-operacionais Jurandir Gonçalves André e Márcio Vinicius Amaro. Eles tiveram uma rápida reunião com o delegado-chefe Gilson Garret Algauer e decidiram levar o acusado de desvios para o 3º Distrito Policial, no Jardim Bandeirantes (zona oeste).
Sem algemas, com semblante tranquilo, Kakunen havia sido preso minutos antes no seu escritório de advogacia, na Rua Souza Naves, área central. ‘‘Obviamente ele está muito abalado e surpreso, mas é um homem maduro. Sabe lidar com situações difíceis’’, afirmou seu advogado Ronaldo Neves.
Por ter curso superior (direito), o ex-presidente da Comurb está sozinho em uma cela de aproximadamente cinco metros quadrados com banheiro e cama de cimento. No seu interior não há cobertores ou colchonetes. ‘‘Este tipo de coisa fica a cargo da família, que pode inclusive fazer a visita, dada à circunstância da prisão’’, afirmou o delegado do 3º DP. Marcelo Sakuma.
A mulher e os filhos de Kakunen estavam viajando e até as 19h30 de ontem ainda não haviam comparecido ao DP. Nem mesmo havia sido enviado por terceiros roupas, agasalhos, cobertores, colchão ou alimentos para Kyosen. No início da noite, assim como os outros 89 presos do distrito, ele jantou um marmitex. Cardápio: arroz, feijão, farofa de milho e um pedaço de carne bovina cozida.

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