A reforma na administração do prefeito interino de Londrina Jorge Scaff (PSB) teve sequência ontem com o pedido de demissão do auditor do município, Kakunen Kyosen. Ele é o segundo a deixar a equipe. O primeiro foi o presidente da Cohab, Assad Jannani, que entregou o cargo anteontem. A Folha antecipou as mudanças na edição de ontem, com base em fontes credenciadas. Kakunen entregou sua carta de demissão ao prefeito interino pela manhã. ‘‘Agora vou cuidar dos meus negócios particulares’’, afirmou.
Os próximos que poderão sair da prefeitura, segundo as mesmas fontes, são o presidente da Acesf, Marcos Colli; e a ex-chefe de gabinete, Sandra Graça, atual assessora na Secretaria de Governo. Otávio Shimba, presidente da AMA, também integraria a suposta lista de mudanças.
Apesar da confirmação da saída do auditor, ontem Scaff continuou cauteloso ao comentar as alterações no secretariado. Em visita à Câmara, no início da tarde, disse que está avaliando outras alterações e que na semana que vem deverá anunciar novidades. ‘‘A gente tem conversado com os secretários e vai sair quem demonstrar interesse. Devemos mudar duas ou três secretarias’’, confirmou. Ao contrário do que declarou no início da semana, Scaff disse que o trabalho que pediu aos colaboradores, com um perfil de cada secretaria, não será decisivo na hora de determinar quem sai e quem fica.
A notícia da reforma pegou os secretários de surpresa. Shimba preferiu não comentar. Por meio de sua assessoria, disse apenas que, como os demais secretários, colocou seu cargo à disposição assim que Scaff assumiu a prefeitura. ‘‘Quem pode responder sobre isso (demissão) é o prefeito’’. Ele lembrou ainda que o cargo é de confiança e ‘‘destituível’’ a qualquer momento.
Já Colli teria se dirigido no final da tarde à prefeitura para tentar uma audiência com o prefeito – na qual iria discutir seu afastamento. Scaff, no entanto, teve um compromisso em Apuracana e o encontro não teria ocorrido. A Folha deixou dois recados na secretária eletrônica de Colli, mas não obteve resposta.
A reportagem também não conseguiu falar com a ex-chefe de gabinete. Ela se declarou candidata a vereadora e a saída dela na administração estaria sendo requerida por uma parte dos membros do Legislativo.
Oficialmente, Kakunen afirmou que o pedido de demissão foi feito por ‘‘motivos de ordem particular’’ e que agora ele irá cuidar de seu escritório de contabilidade e advocacia. ‘‘Não houve pressão para a saída. Comigo ninguém falou nada’’, disse o ex-auditor, que fez uma avaliação positiva de sua atuação frente ao cargo. ‘‘O trabalho foi desempenhado, sobretudo mantendo o bom relacionamento com o Tribunal de Contas.’’
Kakunen foi auditor da prefeitura nas três administrações do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL) e de 1997 a 1999 acumulou o cargo com a presidência da Comurb. Neste período, autorizou a maioria das licitações realizadas pelo órgão e denunciadas posteriormente pelo Ministério Público. Por isso, o nome dele consta em uma ação civil pública por improbidade administrativa.

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