Leandro Donatti
De Curitiba
Nelson Justus (PTB) é o sucessor de Aníbal Khury (PFL) na Assembléia Legislativa. O deputado foi eleito ontem com o apoio do governador Jaime Lerner (PFL), numa disputa bastante tensa. Justus computou 35 dos 54 votos. O líder do governo Valdir Rossoni (PTB) foi derrotado, registrando apenas 18 votos. Um deputado votou nulo. A vitória de Justus só foi possível graças a um acordo firmado com PMDB, PT e setores do PSDB e PDT, que lhe garantiram 13 votos. Justus ficou com a presidência. Caíto Quintana (PMDB) subiu de posição, de 2º vice para 1º vice e José Maria Ferreira (PSDB) foi eleito 2º vice-presidente.
Magoado com a tomada de posição de Lerner, Rossoni comunicou que está deixando a liderança do governo na Assembléia. O deputado acusou o governador de usar a máquina para eleger seu adversário. O ataque foi extensivo a procuradores e desembargadores. Rossoni garante que tinha 35 votos na noite de anteontem.
‘‘Imagine como estou me sentindo depois de carregar tantas pedras desse governo, como líder. Além da máquina do governo, a todo vapor, desembargadores e procuradores pressionando deputados para alterar o resultado. Eles não podem se intrometer em assuntos do Legislativo. Mandem um recado para o governador que não é assim que se faz política’’, declarou. Valdir Rossoni ironizou Lerner ao final de sua fala. ‘‘Existe um tabu de que o governador não sabe fazer política, mas ele sabe sim. Essa é a maior prova. Vamos enaltecer esse homem que, com essa experiência, será o futuro presidente da República’’, alfinetou.
Nelson Justus não reagiu aos ataques de Rossoni, durante seu discurso. Manteve as aparências e o verniz entre os dois era de civilidade. Justus ficou mais tranquilo quando o resultado da eleição foi anunciado. O deputado costurou o apoio da oposição na madrugada de quarta para quinta-feira. Além de ampliar o poder na mesa para Caíto Quintana e José Maria Ferreira, Nelson Justus se comprometeu em acabar com a reeleição, prevista no Regimento Interno. O novo presidente da Assembléia aceitou ainda algumas imposições do grupo, que acabou sendo decisivo no resultado final da eleição. PMDB, PT e alguns tucanos e pedetistas querem, entre outras coisas, a criação de uma liderança de oposição e a garantia de que poderão se manifestar, como foi no período em que Aníbal comandava.
O ‘‘Grupo dos 21’’, aliados revoltados com o governo Lerner por conta da crise financeira e mentores da candidatura de Valdir Rossoni, tentou até o último instante fechar acordo com a oposição. O grupo garantiu ao PMDB e demais partidos assinaturas suficientes para a instalação de duas CPIs (uma sobre a cobrança de pedágio e outra a escolher) e nos instantes finais – quando percebeu que a candidatura de Rossoni naufragava – o cargo de presidente da AL. A oferta tentadora acabou vindo minutos depois do acordo com Nelson Justus ter sido selado.
A oposição disse que aderiu à campanha de Justus por considerá-lo o mais preparado. Nos bastidores, entretanto, a versão que corria ontem era diferente. Os adversários de Lerner na Assembléia apoiaram o candidato do governador, numa tentativa de consolidar a dissidência do ‘‘Grupo dos 21’’. A manobra teria o respaldo político do senador Roberto Requião (PMDB), o maior inimigo de Lerner. ‘‘Para nós não fazia diferença. Tanto Justus quanto Rossoni são governistas. O que queremos é não ficar mais sozinhos na oposição’’, avaliou uma fonte do PMDB.
Os deputados do Paraná vararam a madrugada de ontem, na briga pela sucessão de Aníbal Khury. O Palácio Iguaçu entrou no processo eleitoral, com força total, a partir das 20h45. A guerra de nervos durou horas e consumiu as energias dos deputados. Quando Rossoni percebeu que o quadro eleitoral não estava mais a seu favor liberou o voto de três deputados do ‘‘Grupo dos 21’’, que foram pressionados pelo Palácio Iguaçu a recuar: José Fernandes da Silva, o ‘‘Litro’’ (PSDB); Antonio Baratter (PSDB); e Ricardo Maia (PSB).
A Prefeitura de Curitiba também ajudou Justus a vencer. Cassio Taniguchi (PFL) exonerou o secretário do Governo, Marcos Isfer (PFL), por um dia, para que o mesmo pudesse participar da eleição impedindo a posse do suplente Albanor Gomes (PSDB) que, com a morte de Khury, acabou assumindo uma cadeira.Novo presidente foi eleito com 35 votos a 18 durante sessão tensa. Acordo com partidos da esquerda garantiu o resultado
Mauro FrassonAPARÊNCIARossoni e Justus se cumprimentam: deputados mantêm o verniz, depois da tensa disputa e da mágoa do ex-líder do governo

mockup