Justus recusa pedido de CPI
Arquivo FolhaChab: nova tentativa de CPIO presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), recusou ontem o pedido de CPI formulado pelo deputado Ricardo Chab (PTB) para investigar a compra nebulosa de jaquetas pelo comando da Polícia Militar e outras suspeitas de irregularidades feitas contra a corporação. Justus invocou o Regimento Interno da Assembléia para derrubar a proposta de Chab. Segundo o deputado, o pedido da CPI, como foi apresentado, fere as regras regimentais. ‘‘Uma CPI precisa de um objeto específico. O pedido de Chab foi muito abrangente’’, argumentou o presidente da Assembléia.
Justus devolveu o requerimento a Chab, para que o mesmo reforme o pedido e colete novamente as assinaturas, dessa vez, restringindo o campo de atuação da CPI ao caso das jaquetas coreanas. ‘‘Se ele quiser, vai ser assim’’, disse Nelson Justus, logo após brecar o requerimento. ‘‘Vou reapresentar a proposta e começo a reunir as assinaturas ainda hoje’’, reagiu Chab, consciente das dificuldades de obter novamente o apoio de 33 deputados, muitos deles governistas. A orientação do Palácio Iguaçu é que nenhum pedido de CPI, que atinja o governo Lerner direta ou indiretamente, prospere com o apoio da base aliada.
O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), não escondia ontem a sua satisfação. O deputado passou o feriado da Proclamação da República em contato com os governistas que emprestaram apoio a Chab e que não leram com atenção o alcance do pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito. Rossoni tinha uma estratégia na manga se Justus não freasse o pedido de instalação da CPI de Chab. O líder do governo tinha a garantia de que os governistas que aderiram ao requerimento retirariam seus apoios em plenário, o que inviabilizaria a CPI.
Algaci Túlio (PTB), um dos quatro governistas que garantiu a quantidade mínima de assinaturas para a CPI que naufragou, ajudava ontem Rossoni a convencer os aliados a recuar. O argumento de Túlio é que Chab enganou a bancada governista ao colocar no requerimento que a CPI tinha como objetivo investigar a ‘‘compra de equipamentos pelas polícias (tanto militar como a civil)’’. (L.D.)

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