O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), apresenta hoje um requerimento que pede a criação de uma comissão especial temporária para analisar o envolvimento do presidente da CPI do Narcotráfico, Algaci Túlio (PTB) com o empresário Paulo Mandelli – foragido da Justiça desde o dia 29 de março, acusado de ser um dos principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros no Paraná. Justus afirmou que a decisão está baseada no parecer da procuradoria jurídica da Assembléia, que analisou as cópias de canhotos de cheques que pertenceriam a Mandelli e teriam referências a Algaci – ‘‘Política/Algaci’’ – e ao deputado Luiz Carlos Alborghetti (PFL) – ‘‘Alborghetti’’.
‘‘A procuradoria concluiu o parecer dizendo que, como a Assembléia ainda não possui uma comissão permanente de ética para avaliar estes casos, deveríamos criar uma comissão temporária com representação proporcional. Tudo conforme o Regimento Interno da Assembléia’’, afirmou Justus. O presidente pretende, até amanhã, formar a comissão, que terá cinco integrantes.
Antecipando-se à reforma do Regimento Interno da Assembléia (que deverá ser votada ainda no primeiro semestre), Justus está concluíndo um projeto de resolução que cria uma comissão permanente e uma corregedoria de ética e decoro parlamentar. O projeto deve ser enviado para apreciação durante a próxima reunião da Comissão de Constituição e Justiça, na terça-feira da semana que vem. ‘‘O trâmite deste projeto deve demorar até 20 dias e pode receber emendas antes de ser votado em plenário. Por isso estamos propondo a criação de uma comissão temporária’’, alegou.
A comissão permanente seria formada por cinco deputados e a corregedoria, por três (um corregedor titular e dois substitutos), também seguindo a proporcionalidade das bancadas da Assembléia. Teriam direito a indicar representantes PFL, PMDB, PSDB, PTB e PT. Como medidas disciplinares a comissão de ética e decoro poderá advertir, censurar, afastar por tempo determinado e até cassar deputados. ‘‘Estamos elaborando o projeto com base no da Comissão de Ética do Senado’’, informou Justus.
Se for aprovada, a comissão só vai analisar o suposto envolvimento de Algaci Túlio, já que a bancada de oposição formalizou, por escrito, somente o pedido de afastamento dele na mesa executiva da Assembléia. O eventual favorecimento ao deputado Alborghetti, portanto, não vai ser objeto de análise desta comissão. ‘‘O caminho é esse, e a comissão temporária vai atuar com toda a imparcialidade para anlisar os fatos’’, afirmou Algaci.
O líder da bancada de oposição, Irineu Colombo (PT), não ficou satisfeito com a solução de Justus. ‘‘É uma ação protelatória. Nossa expectativa era resolvermos o caso imediatamente porque a opinião pública está nos pressionando para uma solução’’, criticou. Colombo garantiu que os oposicionistas estão aguardando a resposta oficial da mesa executiva da Assembléia sobre o pedido de afastamento de Túlio. ‘‘A oposição vai esperar até segunda-feira pela resposta. Se não for determinado o afastamento do Algaci, abandonaremos a CPI do Narcotráfico’’, voltou a ameaçar.

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