Justus promete cortar 650 cargos da Casa
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Nelson Justus (DEM), anunciou ontem o corte de ''algumas centenas'' de cargos da Casa. Justus disse que a direção da AL elabora de maneira sigilosa, ''há um bom tempo'', um projeto de resolução que reestrutura os cargos comissionados e efetivos do Legislativo. Mas, em entrevista à imprensa, ele não deu detalhes da proposta.
O projeto de resolução também não foi disponibilizado. E porque nem estaria pronto. O deputado Durval Amaral (DEM) ''ainda estava debruçado nele'', segundo Justus. Mas, embora o projeto nem tenha sido finalizado e divulgado, o presidente da AL demonstrou pressa na votação da proposta: ''Quero votá-lo amanhã (hoje) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E, se possível, quero votá-lo também no plenário, já em primeiro turno''. As sessões plenárias do ano estão previstas para terminar amanhã.
Justus sugeriu que se tratava de um ''sonho antigo'' e que acreditava que o projeto só fosse ficar pronto em 2010: ''Mas percebemos que dava tempo de inclui-lo agora''. ''É uma reestruturação administrativa, feita de maneira técnica e profissional, para que não houvesse injustiças. Meu objetivo é deixar a coisa preparada para o futuro. Não vou ficar aqui sempre na presidência da Casa'', disse ele.
Além de extinguir cargos, a proposta transformaria cargos efetivos a partir da mudança de simbologias. No final da tarde de ontem, uma nota oficial da AL apontava que seriam cortados 650 cargos, sendo 150 efetivos e 500 comissionados. Consta numa lista divulgada pela Casa em abril último que existem 2.458 funcionários, sendo 1.942 pessoas em cargos comissionados e 516 efetivos. O número total hoje, contudo, pode ser outro. É que, de abril até agora, as exonerações e contratações da Casa não se tornaram públicas.
Justus não soube informar quanto tal mudança representaria para os cofres da AL: ''Não sou bom em números''. Ele reforça que se trata de um avanço para a Casa e que, quando ocupou pela primeira vez o comando da AL, há quase dez anos, existiam cerca de 3.500 funcionários efetivos.
A Reportagem apurou também que o projeto de resolução pretenderia organizar as lotações dos gabinetes da ''cúpula'' da Casa. Atualmente, os 54 parlamentares possuem uma ''cota'' de verba mensal já definida para gasto com pessoal. Mas, para aqueles parlamentares que também ocupam cargos na Casa - caso do presidente, do vice-presidente, do primeiro-secretário, por exemplo -, haveria um limite maior para contratação de pessoal. O tamanho de tal ''cota extra'', contudo, nunca foi divulgado.
Reportagem da FOLHA DE LONDRINA, publicada em agosto último, revelou 57 novas nomeações somente para a presidência e para a primeira-secretaria a partir de uma pesquisa feita em 86 diários oficiais da AL, publicados entre 6 de outubro de 2008 e 25 de maio de 2009.


