Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Nelson Justus (DEM), teria deixado de declarar à Justiça Eleitoral sua participação na empresa de rádio ''Litorânea'', no ano de 2006, quando disputou a reeleição. A denúncia foi publicada ontem pelo jornal Gazeta do Povo. A rádio, que fica em Guaratuba, base eleitoral de Justus, também é de propriedade de Isabel Stein Miguel, filha de Abib Miguel, o diretor-geral da AL afastado após denúncias de irregularidades na Casa. Ao veículo, Justus disse que não se lembrava se a sociedade ainda estava ativa. Informação da Junta Comercial do Paraná, contudo, confirma que a sociedade continuaria valendo.
Ontem, antes do início da sessão plenária na AL, a Reportagem tentou entrevistar Justus, mas ele não quis se pronunciar sobre o assunto. ''Me deixem trabalhar'', respondeu ele, enquanto já caminhava em direção ao plenário.
A Reportagem procurou o Ministério Público Eleitoral, que respondeu, via assessoria de imprensa, que o caso ainda será analisado. Já o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) também respondeu, via assessoria de imprensa, que o caso só seria ali tratado se houvesse uma representação protocolada.
Afastamento
O Partido Verde (PV) do Paraná e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná defenderam ontem o afastamento de Nelson Justus (DEM) da Mesa Diretora da Casa durante o processo de investigação das denúncias feitas pela imprensa em meados de março, e que envolvem excesso de nomeações, irregularidades em contratações e desvios de recursos públicos. Em entrevista à RPCTV, o presidente da OAB, José Lucio Glomb, disse que considera ''razoável'' a saída de Justus.
Já o PV do Paraná se manifestou em nota encaminhada à imprensa, aos parlamentares, aos membros da Mesa Diretora e ao Conselho de Ética da AL. O PV está representado na Assembleia por uma única parlamentar, Rosane Ferreira, cuja base eleitoral é Araucária (Região Metropolitana de Curitiba). Na nota, o PV afirma que a investigação exige transparência, o que não pode ser garantida se os responsáveis administrativamente pelos atos investigados integram a própria Mesa Diretora.

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