Curitiba - Com a saída do deputado Nelson Justus (DEM) da disputa, anunciada na sessão plenária da AL (Assembleia Legislativa) nessa segunda-feira (11), o Delegado Francischini (PSL) deverá ser aclamado presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa nesta terça-feira (12).

Os dois deputados disputavam nos bastidores a presidência da comissão mais importante do Legislativo, responsável por arquivar ou encaminhar os projetos ao plenário. Justus, que comandou a CCJ por oito anos, acabará presidindo a Comissão de Finanças e Tributação. A reunião da CCJ está marcada para esta terça, às 13h30.

Ao anunciar a desistência na tribuna, o deputado do DEM disse que queria evitar que se criassem "situações de desconforto" para parlamentares que queriam votar nele para a presidência da CCJ, mas que "não podiam", e disse estar pagando o preço para "fazer a paz". Justus declarou, ainda, ter convicção de que os integrantes da comissão o elegeriam, mas que o "baralho estava marcado".

"Eu não vou começar a fazer carreira de perdedor agora", disse. "Há momentos na vida que pede que nós recuemos para avançar depois."

À imprensa, o deputado disse que o governo do Estado interferiu na eleição da CCJ, mas não deu detalhes, limitando-se a dizer que houve "pedidos". Sobre ter declarado que recuava para avançar depois, disse que disputará a presidência da CCJ no próximo biênio.

"A maioria dos deputados queria votar em mim, mas sofria interferências de todos os lados para que se votasse no Francischini", declarou. "Depois de ganhar 16 eleições, não é justo que eu perca no final da carreira", disse Justus - que declarou, ainda, que ajudará o governo.


Francischini disse que houve uma "disputa árdua", em que foram pedidos votos aos deputados, "como numa eleição comum". Segundo o deputado, oito parlamentares já haviam assinado uma lista de apoio - número que caminhava para 9 ou 10 nomes. "O deputado Nelson Justus, com certeza, deu a contribuição dele para que não houvesse uma disputa", disse.

FIEL DA BALANÇA
Segundo o parlamentar, a disputa se deu pela importância da cadeira para o Executivo, já que o presidente da CCJ é o "fiel da balança" para a tramitação e aprovação de projetos de interesse para o governo - caso de medidas alinhadas à agenda do governo de Jair Bolsonaro (PSL) como a reforma da Previdência e "reformas que vão ocorrer também no Paraná".

"O Ratinho Jr. precisa, na CCJ, de um aliado que dê celeridade", disse. "Com certeza, minha posição lá é uma posição de, tudo o que for importante para o Paraná, a gente dar celeridade", prometeu.

O deputado disse que a liderança do governo Ratinho Jr. trabalhará para ter Justus como aliado.

O líder do governo, Hussein Bakri (PSD), afirmou que a interferência do Palácio Iguaçu na eleição foi "zero", limitando-se à sua própria declaração de voto em Francischini - que teria sido seguida pelos demais parlamentares. "O placar daria uma vitória com uma folga acentuada. Nesse momento, 8 a 5 seria o placar", disse.

"Tudo [foi feito] à luz do dia, tudo esclarecido. Portanto, se houve algum ato 'não normal', foi minha antecipação do voto, que entendi que seria importante para que não houvesse um choque no dia da eleição. E foi o que aconteceu. Eu diria que a estratégia deu certo", disse.

Bakri acrescentou que a "convergência" em torno de Francischini ocorreu, entre outros fatores, pelo tamanho da bancada representada pelo deputado do PSL. Bakri negou que tenha havido qualquer acordo com Justus com visando a próxima eleição da CCJ.

Anibelli Neto (MDB), líder do bloco MDB/DEM, sugeriu desconhecer "ingerência" do governador sobre a AL, e disse que os deputados têm autonomia e capacidade de articulação.

Também ouvido pela FOLHA, Requião Filho (MDB) disse que o governo "forçou a mão" ao deixar clara a preferência por Francischini.

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