O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justus (PTB), disse ontem que deve assumir a Secretaria dos Transportes nos próximos dias. Ele deverá se reunir hoje com o governador Jaime Lerner (PFL) para definir a data da nomeação.
Mas Justus já está de malas prontas, porque os dois pontos que retardavam sua mudança do Legislativo para o Executivo já foram solucionados, pelo menos em parte. O deputado adiantou que durante esta semana vai visitar a Secretaria para se inteirar dos assuntos relativos à pasta.
Um dos motivos de manutenção de Justus frente à Assembléia era a indefinição de Lerner em relação ao projeto do deputado Geraldo Cartário (PSL), que cria o Funcor, um fundo para conservação das rodovias não pedagiadas. O governador sancionou o projeto ontem pela manhã.
O Funcor vai facilitar a alocação de recursos para reforma das estradas estaduais durante a gestão de Justus nos Transportes. Ele deverá encontrar menos dificuldades para melhorar e manter as rodovias. Justus já teve a dotação deste ano de sua secretaria elevada em R$ 119 milhões. A cifra original, alterada pela Comissão de Orçamento e aprovada em plenário em dezembro, era de R$ 350 milhões. Agora é de R$ 469 milhões.
Outro problema que o presidente não ‘‘queria deixar de herança ao sucessor’’ era a demissão dos servidores contratados pelo antigo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Justus acatou decisão da Justiça do Trabalho e determinou a demissão de mais de 300 funcionários celetistas contratados desde 1988 (leia acima).
O novo secretário dos Transportes tem experiência na área. É sócio de uma construtora em Curitiba, a Justus Construções Civis Ltda. Conforme matéria publicada pela Folha anteontem, ele tem sociedade com dois irmãos.
Justus está na mira do diretório regional do PT. O partido quer que a sua bancada na Assembléia questione a indicação de um empreiteiro para o posto de secretário dos Transportes.

mockup