Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM), disse ontem que aguarda ''com ansiedade'' a sanção pelo governador Orlando Pessuti (PMDB) ao projeto que cria a figura dos agentes políticos na Casa. Ele defendeu a constitucionalidade da medida e disse que é ''o mesmo sistema usado na Câmara de Deputados''. A sanção, disse Justus, resolveria casos como o denunciado pela FOLHA esta semana. Sete comissionados, lotados em cargos do gabinete da Presidência da Casa - de responsabilidade de Justus - e da primeira secretaria, conduzida pelo deputado Alexandre Curi (PMDB), prestaram depoimento ao Ministério Público (MP) em Ivaiporã, e cinco deles admitiram que nunca deram expediente no prédio da Assembleia. Uma sexta comissionada também afirmou à reportagem da FOLHA que teria trabalhado como assessora no interior do Estado.
Para o parlamentar, os funcionários citados na reportagem ''exercem a função de assessor parlamentar''. ''Eles já foram depor e agora aguardam o resultado das investigações'', completou. Segundo ele, o agente político é um funcionário da Assembleia que poderá cumprir expediente fora da Casa e atuar nas bases dos deputados.
Questionado se irá promulgar o projeto caso o governador não o sancione, Justus disse que não pode falar ''sob hipótese''. ''Ele (o governador) está dentro do prazo. Claro que ele não vai assinar sem o devido embasamento jurídico.'' Justus e outros deputados conversaram com Pessuti na última terça-feira sobre o projeto.
Justus também informou que está conversando com uma fundação que poderá realizar um trabalho de fiscalização do Poder Legislativo. ''Amanhã (hoje) tenho uma reunião com uma fundação que vai ajudar na fiscalização de toda a Casa, num mesmo processo que foi utilizado de forma bem-sucedida em Maringá.'' O parlamentar, no entanto, não deu detalhes do projeto.
A constitucionalidade do projeto que cria a figura de agente político foi defendida ontem pelo coordenador jurídico da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Ricardo Cuman. ''O projeto está dentro dos limites da moralidade, razoabilidade e é correto do ponto de vista da constitucionalidade'', disse.

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