Leandro Donatti
De Curitiba
A mesa executiva da Assembléia Legislativa encaminhou ontem ao Ministério Público do ofício solicitando informações sobre as investigações do escândalo em Londrina. O presidente da Casa, Nelson Justus (PTB), quer saber dos promotores Solange Vicentin; Cláudio Esteves e Bruno Galatti, que cuidam do caso AMA-Comurb, se há indícios ou qualquer tipo de suspeita de compra de deputados, em troca do desmonte de uma CPI envolvendo a Copel, a Sercomtel e a Prefeitura de Londrina.
A CPI foi instalada em maio do ano passado e durou menos de 48 horas. Avalizada por 20 deputados aliados do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia, que acabaram retirando o apoio na última hora, a CPI tinha por objetivo investigar a compra pela Copel de 45% das ações da Sercomtel. A transação rendeu R$ 186 milhões aos cofres municipais. Do total, R$ 47 milhões foram transferidos ao Banco FonteCindam como pagamento de empréstimo avaliado em R$ 22 milhões feito pela Prefeitura durante a administração do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PMDB).
‘‘É do interesse desta Casa que os fatos sejam esclarecidos à opinião pública do Paranᒒ, declarou Justus. Para tomar a decisão e enviar o ofício ao procurador geral de Justiça, Gilberto Giacóia, que promete uma resposta para hoje, o presidente da Assembléia reuniu anteontem o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB) e o secretário geral, Hermas Brandão (PTB). O encontro foi na residência de Justus, em Curitiba. Os deputados decidiram acionar o Ministério Público, na esperança de estancar qualquer tipo de suspeita. Se os promotores confirmarem que há indícios de suborno, a mesa executiva da Assembléia promete dar apoio integral às investigações de Londrina.
A oposição passou a tarde ontem recolhendo assinaturas. Edgar Bueno (PDT) tem 14 assinaturas para reabrir a CPI Copel-Sercomtel, todas do bloco que não dá sustentação política ao governo Lerner. E uma promessa de adesão do governista Augustinho Zucchi (PSDB), que primeiro aguarda manifestação do Ministério Público para tomar posição. A reabertura das discussões em torno da polêmica CPI – pela oposição – tem efeito apenas político. Na prática, dificilmente, haverá adesão de 18 deputados, número mínimo para a instalação de uma CPI. A base governista, a mesma que minou a CPI no ano passado, está sendo orientada a não entrar no discurso da oposição.
Valdir Rossoni (PTB) fez discurso inflamado ontem. Subiu à tribuna para reafirmar a orientação do governo. ‘‘Não é porque não apóio a CPI da Sercomtel que sou menos ou mais honesto. Não devemos apoiar porque a Copel já deu todos os esclarecimentos na época. É tarefa dos vereadores de Londrina investigar se houve ou não alguma irregularidade. A competência é deles e não nossa’’, pregou Rossoni, para rebater ataques da oposição. Edgar Bueno, Ângelo Vanhoni (PT), Nereu Moura (PMDB), e Péricles Mello (PT) fizeram pronunciamentos cobrando a apuração das suspeitas.
Edgar Bueno, que ainda responde pela liderança da oposição apesar de seu mandato estar vencido, disse que as explicações da Copel, sobre a operação financeira envolvendo o FonteCindam, não foram suficientes. ‘‘Nenhum de nós até hoje recebeu a explicação do porquê foi pago a mais pelo empréstimo. Uma CPI agora é fundamental’’, defendeu Bueno.
Todos os pronunciamentos foram acompanhados por Antonio Carlos Belinati (PSB), filho do prefeito Antonio Belinati (PFL) com a vice-governadora Emília Belinati (PTB). O deputado não se pronunciou ainda sobre o escândalo AMA-Comurb.Assembléia do PR pede detalhes sobre investigações para averiguar compra de deputados no veto da CPI Copel-Sercomtel
Arquivo FolhaJUSTIÇANelson Justus, presidente da AL: ‘‘É do interesse desta Casa que os fatos sejam esclarecidos à opinião pública’’

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