Justiça veta e-mail com pesquisa não registrada
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O juiz auxiliar eleitoral Juan Daniel Pereira Sobreiro deferiu ontem no final do dia um pedido de liminar da coligação de Osmar Dias (PDT) para vetar um e-mail do candidato Beto Richa (PSDB) que divulgava números de uma suposta pesquisa, feita internamente pela coligação, mas que não estava registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado. A mensagem que circulava na internet mecionava que Beto liderava no número de votos e teria sido enviada pela coligação do tucano, em função do domínio registrado (betoricha.com.br).
Além de proibir novos envios da mensagem, sob pena de multa de R$ 300 mil, o juiz também determinou que o mesmo endereço eletrônico seja agora utilizado para a divulgação de um texto que esclarece que aquela pesquisa não tinha sido registrada no TRE nos moldes do artigo 33 da Lei 9.504/1997.
''Faz parte da regra do jogo querer impugnar pesquisas, mas o que chama atenção é que isso foi feito ao mesmo tempo em que se divulgava uma pesquisa não registrada. Eles impugnaram três pesquisas de institutos sérios e ao mesmo tempo distribuíram aquela mensagem na internet. Denota uma certa perversidade'', afirmou um dos advogados da coligação de Osmar, Guilherme Gonçalves.
Procurado, o advogado Ivan Bonilha, que defende a coligação de Beto, disse que a decisão liminar será cumprida. ''Ao que tudo indica, é um e-mail distribuído pela campanha (do Beto). Mas ainda vamos apurar o que aconteceu. A gente pode fazer pesquisas internas, para consumo próprio. O problema está na divulgação'', disse ele.
A coligação do Osmar chegou a convocar uma entrevista coletiva à imprensa ontem para tratar da mensagem eletrônica e também das impugnações de pesquisas eleitorais. Ontem, a coligação de Beto conseguiu novamente impugnar um levantamento, feito pelo Ibope. O pedido de veto foi acatado pelo juiz auxiliar Luciano Carrasco. Números do Vox Populi e do Datafolha já tinham sido barrados pelo tucano. A coligação de Osmar reforça que as pesquisas anteriores feitas pelos mesmos institutos, e que colocavam Beto na liderança, permaneceram com a mesma metodologia.
''Não vamos mais ter pesquisa porque ele impugnou todas. Quando o juiz for analisar o mérito, e daí ele pode decidir a favor dos institutos, já vai ser tarde. Os números já não vão mais refletir o momento eleitoral. É uma censura à imprensa, que contrata a pesquisa'', criticou Mário Pereira, coordenador da campanha de Osmar.
Já Bonilha nega que as impugnações tenham ligação com uma suposta queda de Beto nos levantamentos. ''Desde a primeira pesquisa já tínhamos percebido falhas, inclusive no questionário ao eleitor, com a indução de perguntas. Algum fundamento jurídico tem. Caso contrário, o juiz não teria acatado. Em 2006, o Osmar tentou várias vezes impugnar pesquisas, mas não teve sucesso'', afirmou ele.


