Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a Polícia Federal investigue as denúncias de evasão fiscal envolvendo o banco HSBC na Suíça. A determinação, anunciada anteontem à noite, acontece após uma série de reportagens revelar contas de brasileiros mantidas na agência de "private bank" do HSBC na cidade de Genebra, que podem ter sido usadas para a sonegação de impostos.

O caso, conhecido como "SwissLeaks", é uma apuração jornalística internacional feita a partir de dados obtidos do HSBC por um ex-funcionário do banco Hervé Falciani, que em 2008 entregou dados sobre as contas às autoridades da França. A partir de 2010 os dados passaram a ser compartilhados com outros países. Em relação ao Brasil, a lista obtida por Falciani indica que os correntistas brasileiros tinham cerca de US$ 7 bilhões em 2006 e 2007 no banco em Genebra. Eram 6.606 contas e 8.667 clientes -muitos clientes compartilhavam contas.

De acordo com Cardozo, após uma análise das matérias jornalísticas, feita por integrantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal e pelo DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), entendeu-se que uma investigação criminal se fazia necessária para apurar eventuais delitos. "Há indícios de crimes, por isso avaliamos que uma investigação se faz necessária. A Polícia Federal estará à frente destas investigações", disse.

Questionado sobre o tempo que as apurações devem durar, Cardozo explicou que, neste momento, é impossível se fazer uma análise, uma vez que, além dos dados já vazados por Falciani, o Estado brasileiro deverá fazer pedidos formais de colaboração com o governo Suíço para obter outros documentos que comprovem eventuais crimes.

Além da investigação criminal, as apurações sobre o "SwissLeaks" também se darão no campo do Legislativo. O Senado iniciou também anteontem o processo de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de evasão fiscal. O autor do pedido de CPI foi o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que obteve 33 assinaturas para a abertura da comissão, seis a mais do que o mínimo exigido.

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