Curitiba - O juiz da 3 Vara Federal de Curitiba, Paulo Cristóvão de Araújo Silva Filho, concedeu liminar suspendendo o leilão para a licitação de trechos de rodovias federais que aconteceria hoje na Bolsa de Valores de São Paulo. A suspensão envolve 1.196 km de trechos que cortam o Paraná e inclui três lotes: o 2, que vai de Curitiba até a divisa entre os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul (BR-116); o 6, que liga São Paulo a Curitiba (R$ 116) e, o 7, que liga Curitiba a Florianópolis (BRs 116, 376 e 101). Este último era justamente o alvo de interesse da Copel. A estatal confirmou ontem a participação no leilão apenas para o lote 7 - com extensão de 382,3 km - e enviou a documentação para a Bovespa.
A liminar concedida por Silva Filho atende a uma ação civil pública que foi protocolada pelo Ministério Público Federal do Paraná. Por outro lado, a Advocacia-Geral da União (AGU) agiu rápido e entrou com recurso ainda ontem no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4Região (Sul do País) para tentar derrubar a liminar da Justiça Federal do Paraná.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que, por questões legais, não poderia revelar o número de propostas que foram realizadas para cada lote. O prazo para entrega das propostas terminou ontem às 11 horas e o leilão aconteceria hoje, às 14 horas, na Bovespa.
Representantes da Copel entregaram na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia, em São Paulo, envelopes contendo a documentação de qualificação, proposta comercial, oferta de tarifa e as garantias de proposta. O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, tinha dito ontem que várias empresas se habilitaram para o lote 7. De acordo com o líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a Copel Empreendimentos iria disputar sozinha o leilão, ou seja, sem sócios.
Inicialmente, a Copel estudava disputar também os lotes 2 e 6 do leilão.
No último dia 2, no entanto, o Conselho de Administração da Companhia decidiu que o foco e as atenções deveriam ficar concentrados unicamente no lote 7, entendido como sendo ''o de maior viabilidade técnica e econômica'' dos três, conforme demonstraram os estudos conduzidos pela empresa.
''O Conselho optou por nos autorizar a participar das disputas somente do trecho Curitiba a Florianópolis por questões estratégicas'', informou Ghilardi.
O líder da oposição na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), disse que se o governo do Estado tivesse real interesse em participar do leilão teria composto a formação dos sócios há dois anos e não faria isso de improviso. A participação da estatal no leilão foi aprovada há uma semana. ''Foi tudo um atropelo. Foi mais um jogo de cena para mostrar que estavam tentando baixar o pedágio'', disse.
Outras empresas
A empresa Ecorodovias entregou na última sexta-feira suas propostas para o leilão de rodovias federais para todos os sete trechos. A Ecorodovias, que pertence à Primav Construções e Comércio, dos grupos CR Almeida e Impregilo, administra hoje três rodovias, com 937,3 quilômetros no total.
O consórcio Cibe, formado pelos grupos Bertin e Equipav, conhecidos por atuar nas áreas de açúcar e álcool, agropecuária e de construção pesada, confirmou que entregou propostas ontem para todos os sete lotes de rodovias federais.

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