Justiça suspende eleição da Câmara de Uraí e deixa situação indefinida
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segunda-feira, 02 de março de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Uma decisão judicial anulou a eleição da nova Mesa Diretiva da Câmara de Vereadores de Uraí (Norte Pioneiro), em dezembro passado, e mantém a situação do comando da Casa indefinida. Apesar do cancelamento da eleição, o presidente eleito na ocasião, Willians Hideto Iwai (PMDB) segue no comando da Casa.
A eleição foi suspensa a pedido dos membros da chapa de oposição, composta por Vinícius Laureano (PMN), Ademir Ambrósio (PSC), Adilson Marra (PR) e Lidamar Akyoshi (PSC). O processo teve origem após a maioria dos vereadores abandonarem o plenário devido à impugnação da candidatura de dois parlamentares da chapa opositora. Mesmo sem quórum, a situação se declarou vencedora.
No dia da eleição, o então presidente, Claudinei dos Reis (PPL), que era membro da chapa de situação, indeferiu a participação de Edmar dos Santos (PT), 2º secretário na chapa liderada por Ambrósio. A justificativa era que o petista não poderia participar da Mesa Diretiva por incompatibilidade de horários, já que é servidor da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A decisão foi tomada pelo próprio presidente, sem ser submetida a plenário.
Diante da impugnação, nova chapa foi composta, com Vinícius Laureano (PMN) na presidência, Ambrósio como vice, Matta na 1ª Secretaria e Lidamar na 2ª secretaria. Entretanto, Reis impugnou a candidatura de Laureano alegando que ele deveria ter se desincompatibilizado da advocacia para pertencer à Mesa. "A atitude foi arbitrária. Primeiro porque a presidência só me impediria de advogar, mas depois de eleito. Segundo que a decisão foi dele, sem ir a votação", reclama o impugnado.
Diante da manobra, os componentes da chapa de oposição e Santos deixaram o plenário, o que, pelo Regimento Interno, barraria a votação. A Mesa Diretiva precisa ser eleita pela maioria simples, ou seja, metade dos presentes mais um, mas, para a eleição ser aberta, o quórum seria maioria absoluta, caracterizada por metade dos vereadores mais um.
Como a Câmara de Uraí tem nove parlamentares, a maioria absoluta seriam cinco vereadores. Com a "debandada", apenas os quatro componentes da chapa de situação permaneceram e se anunciaram vencedores, motivando o pedido judicial de anulação.
Apesar de liminar suspendendo os efeitos da votação, um agravo de instrumento reverteu a decisão, mas, ao julgar o mérito, a juíza Ana Cristina Cremonezi sentenciou a anulação da eleição da Mesa e determinou que o vereador mais velho da Casa assumisse a presidência até nova eleição. Entretanto, ainda em fase recursal, Iwai permanece à frente do Legislativo.
A FOLHA tentou falar com o presidente ontem, mas ele não estava na Câmara e servidores se negaram a informar o telefone celular.


