Curitiba e São Paulo - A Justiça Federal decretou o sequestro de R$ 40 milhões nas contas do lobista Adir Assad e de seis empresas ligadas a ele, usadas para movimentar propina, segundo a Operação Lava Jato. Foi decretado ainda o bloqueio em contas de três pessoas que eram usadas como "laranjas" por Assad.
O lobista foi preso na manhã de ontem, na décima fase da Lava Jato batizada de "Que País É Esse?". O alvo principal é o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, que também foi preso preventivamente.
O advogado Miguel Pereira, que defende Adir Assad, rechaçou enfaticamente as suspeitas da Polícia Federal contra seu cliente. Pereira não admite a comparação dos investigadores que atribuem a Assad o papel que foi protagonizado por Marcos Valério, operador do mensalão. "Assad não é Marcos Valério, é um engenheiro civil de formação, sempre trabalhou em obras", declarou Pereira. Assad é apontado pela PF como operador de propinas da empreiteira Delta, alvo de outro escândalo envolvendo o contraventor Carlinhos Cachoeira, em 2012.
O advogado disse que vai tomar ciência do que consta formalmente contra Assad nos autos da Operação Lava Jato e definir a estratégia para tentar derrubar a ordem de prisão preventiva. "A situação (de Assad) não preenche nenhum requisito para a prisão preventiva", pondera o advogado.
A Polícia Federal encontrou farta documentação em um compartimento secreto mantido na residência do lobista, em São Paulo. O delegado da PF Márcio Anselmo, que integra a força tarefa da Lava Jato, explicou que era "um cômodo secreto, oculto, com prateleiras onde foi apreendida ampla gama de documentos e bens de alto valor." Na residência de Assad foram recolhidas telas de arte, como a coleção recolhida na casa do ex-diretor de Serviços Renato Duque. Foram 131 telas. As buscas na casa e em outros dois endereços de Duque foram determinadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Operação Lava Jato.

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