A Justiça sequestrou anteontem cinco colheitadeiras, dois silos e a safra de soja das propriedades do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) e do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, em Nova Mutum (MT). O maquinário e insumos usados no plantio foram comprados com cheques da prefeitura no final do ano passado. No início de janeiro, o Ministério Público (MP) conseguiu localizar os beneficiários dos cheques, que passam de R$ 2 milhões, e identificar os produtos adquiridos com o dinheiro público.
A Fazenda Sapucaia, de Gianoto, tem 3,63 mil hectares e a Rio Brilhante, de Paolicchi, 5,6 mil hectares. Na tarde de quarta-feira, o juiz Moacir Torquato, de Diamantino (MT), comarca de Nova Mutum, oficializou a busca e sequestro de bens, aprovado um dia antes pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Marinagá, Shiroshi Yendo.
Ainda na noite de quarta-feira, oficiais de Justiça acompanhados de 10 policiais militares foram até a Fazenda Sapucaia, onde foi feita toda a apreensão. A fazenda de Paolicchi é administrada por Gianoto. Duas colheitadeiras embarcaram ontem com destino a Maringá e ficarão sob responsabilidade da prefeitura. O prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) disse que as máquinas devem chegar amanhã à tarde ou domingo e ficarão em exposição em alguma praça. ‘‘Queremos mostrar à população onde ia o dinheiro dos tributos.’’
Cada colheitadeira, marca New Holland modelo TC 57, que tem até ar condicionado, está avaliada em pelo menos R$ 100 mil. Na época, Gianoto pagou R$ 106 mil cada e hoje uma nova custa R$ 150 mil.
As outras três colheitadeiras ficaram na fazenda de Paolicchi e a empresa Agrovale, que comprou as áreas do ex-secretário, será a fiel depositária. Os dois silos, com capacidade para 50 mil sacas cada um e avaliados em R$ 310 mil, além da safra de soja, ficam sob a responsabilidade da Cooperativa Agrícola Vale do Piquiri (Coopervale), de Palotina (PR), mas que tem entreposto em Nova Mutum.
O procurador jurídico da Prefeitura de Maringá, Alaércio Cardoso, acompanhou a operação e disse que existem 6 mil sacas armazenadas nos silos. Na cotação da soja de ontem, elas estão avaliadas em R$ 97,2 mil. No total, segundo técnicos da extensão rural da região de Maringá, as duas propriedades podem colher de 80 a 130 mil sacas. O rendimento bruto, mantida a expectativa de safra, pode variar de R$ 1,2 milhão a R$ 2,1 milhões.
Segundo Cardoso, os oficiais de Justiça encontraram Gianoto na propriedade, no início da noite de quarta-feira. Sem poder fazer nada, Gianoto apenas assistiu ao sequestro. Os advogados dele em Maringá informaram ontem que vão recorrer no Tribunal de Justiça, já que a safra está comprometida com financiamento.
No final de 2000, quando soube do sequestro dos bens, Gianoto havia declarado a preocupação com a questão do financiamento. Cardoso garantiu ontem que o sequestro não deve interferir no trabalho nas duas fazendas. ‘‘Pudemos ver outras colheitadeiras, tratores e implementos na fazenda do ex-prefeito.’’

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