Justiça recebe pedido de exumação de Osvaldinho
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da CPI do Banestado, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), protocolou ontem na 2 Vara Criminal Federal em Curitiba o pedido de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário do Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, conhecido como Osvaldinho. O ex-secretário de Jaime Lerner (PSB) morreu em acidente de carro em setembro de 1998, na região de Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Mas, com base nos depoimentos ouvidos até agora e na documentação que falta sobre a morte de Osvaldinho, os deputados da CPI levantaram dúvidas sobre a morte dele. O pedido de exumação inclui pedido de lacre de jazigo para a realização de exame de DNA, que depende de autorização da família. O corpo está enterrado no Cemitério Iguaçu, em Curitiba.
O pedido foi entregue à 2 Vara Criminal da Justiça Federal porque lá são julgados os processos relativos ao sistema financeiro, lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores. A equipe jurídica da CPI cogitou a possibilidade de encaminhar o pedido de exumação para o Fórum de Palmeira, onde foi feito o inquérito sobre o acidente, mas entendeu que seria mais adequado entregar o pedido à Justiça Federal. Na época do acidente, o ex-diretor da Banestado Leasing estava sendo investigado pelo Ministério Público, que apurava prejuízos de R$ 600 milhões ao Banestado, originados em empréstimos feitos a empresas que não tinham condições financeiras de restituir os valores. Beraldin foi até a 2 Vara acompanhado dos assessores jurídicos Marcelo Couto de Cristo e Viviane Duarte Couto de Cristo. A petição foi assinada pelo procurador-geral da Assembléia Legislativa, Ayrton Loyola.
A expectativa de Beraldin é que a Justiça Federal se pronuncie em poucos dias. Segundo o relator da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), a comissão levantou ''uma série de fatos que aumenta as dúvidas em relação à morte do ex-secretário, em vez de diminuir''. Bradock explicou que, se a exumação for autorizada pela Justiça, vão ao cemitério colher material do corpo técnicos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML). Os deputados da CPI acompanharão o trabalho. Para o exame de DNA, um parente de Osvaldinho precisa ceder material genético para comparação.
Bradock afirmou que não existem fotografias do corpo de Osvaldo Magalhães dos Santos dentro do carro no local do acidente, além da ausência de exames de arcada dentária e datiloscópico (impressões digitais) ou de DNA do corpo.
O advogado da família, Claudio Melo Colaço, foi procurado ontem pela Folha para comentar o pedido de exumação, mas ele estava em reunião e não retornou a ligação até o fechamento desta edição.


