Justiça quebra sigilos de irmãos no Oeste
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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
A Justiça de Laranjeiras do Sul (138 km a leste de Cascavel) autorizou ontem a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos últimos 11 anos dos irmãos Marco Aurélio Beck Lima (ex-secretário da Indústria e Comércio de Cascavel), José Augusto Beck Lima (ex-prefeito de Laranjeiras do Sul), Lígia Lima Castro, e seu marido, Vanderlei Castro. O juiz Pedro Betio negou também o pedido de revogação da prisão de Marco Aurélio, feito na semana passada pelo advogado Lauri Soares da Silva.
A decisão de quebra dos sigilos bancário e fiscal atende ao pedido do promotor Marco Aurélio Tavares, autor das denúncias de estelionato e apropriação indébita contra os quatro citados. Segundo a denúncia, eles teriam lesado mais de 700 pessoas, em um golpe que ultrapassa R$ 4 milhões.
Segundo o promotor, também foi autorizada a quebra do sigilo das empresas Jabel Assessoria, de propriedade de José Augusto, e da M.B.A. Lima, de Marco Aurélio. As duas empresas seriam as responsáveis pelo golpe aplicado em Laranjeiras do Sul. A Jabel captava recursos oferecendo taxas acima do mercado e repassava os valores à M.A.B. Lima que aplicava no mercado paralelo. No ano passado, a empresa passou a deixar de repassar o dinheiro aos credores.
Tavares explicou que com a quebra do sigilo será possível rastrear os valores que passaram pelo mercado legal. O promotor disse que também foi pedido o sequestro do apartamento do ex-secretário de Cascavel. Ele observou que a confirmação de que o imóvel pertencia a Beck Lima chegou somente na semana passada. Logo que foi decretada a prisão dos quatro acusados, a Justiça acatou o pedido de sequestro e arresto dos bens móveis e imóveis dos envolvidos.
Em relação à negativa ao pedido de revogação da prisão de Marco Aurélio, o promotor afirmou que os motivos apresentados pelo advogado de defesa não condizem com a verdade. O advogado alegou que seu cliente tem residência fixa e bons antecedentes. De acordo com Tavares, persistem os motivos da prisão preventiva, que são a garantia de ordem pública e a conveniência da instrução criminal devido o acusado ter permanecido em lugar desconhecido e não ter se apresentado à polícia.
Os quatro acusados permanecem foragidos. Em entrevista esta semana à Folha, José Augusto alegou inocência e disse que foi envolvido porque não retirou seu nome do contrato social da Jabel Assessoria quando teria deixado a sociedade, em 1988. Ele afirmou que não pretende se apresentar, mas colocou seu sigilo bancário à disposição da Justiça.


