Curitiba - A Justiça Federal decretou ontem a quebra de sigilos bancário e fiscal de quatro ex-diretores do Banestado e das empresas DM Construtora de Obras e Rodoférrea. A determinação do juiz da 2 Vara Criminal em Curitiba, Sérgio Fernandes Moro, atende solicitação feita pela CPI do Banestado na Assembléia Legislativa. Esta foi a primeira vez que uma instância federal decreta a quebra de sigilo a pedido de uma CPI estadual.
Na decisão, o juiz oficia a Receita Federal para que envie à CPI, em um prazo de 20 dias, as declarações de rendimentos dos ex-diretores Alaor Alvim Pereira, Gabriel Nunes Pereira Neto, Oswaldo Rodrigues Batata e Sérgio Eloi Druszcz e das empresas DM Construtora de Obras Ltda e Rodoférrea Construtora de Obras Ltda. O juiz determinou o envio das cinco últimas declarações, entre 1998 e 2002. Moro também ordenou que o Banco Itaú, que comprou o Banestado em outubro de 2000, disponibilize à CPI as auditorias internas e externas feitas no banco estadual no período de 1995 a 2000 e os extratos bancários desse período das empresas citadas.
Os quatro ex-diretores são suspeitos de terem facilitado a negociação de dívidas da DM e da Rodoférrea que teriam sido lesivas ao patrimônio público. Em depoimento aos deputados da CPI no final de maio, os ex-diretores disseram que as operações eram necessárias para captar recursos para o Banestado. ''A decisão foi uma maravilha. Vamos aprofundar muito as investigações com a quebra de sigilo'', afirmou o presidente da CPI do Banestado, deputado Neivo Beraldin (PDT). Segundo ele, os deputados da comissão têm o compromisso de manter as informações enviadas pela Receita Federal e Banco Itaú em sigilo.
Os responsáveis pelas empresas DM e Rodoférrea, Giovano e Denis Fantin, não retornaram o pedido de entrevista, assim como o ex-diretor Alaor Pereira. ''Minha atuação no banco foi sempre com a maior lisura. Não tenho preocupações com a quebra de sigilo'', disse Gabriel Pires Neto, que atuou no Banestado entre novembro de 1997 e janeiro de 1999. ''Não tenho nada a esconder. Mas saí do banco em junho de 1997 e depois disso não tive nenhuma relação com o Banestado'', afirmou Sérgio Druszcz. Oswaldo Batata também disse que não teme pela quebra de sigilo. ''Tenho a consciência tranquila.''

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