O juiz da Vara Federal Criminal de Londrina, Douglas Camarinha Gonzales, decretou a quebra do sigilo bancário de mais cinco contas fantasmas descobertas no Banestado de Londrina para lavagem de dinheiro. As contas foram abertas em nome das empresas Arravel Representações S/C Ltda, Hermison Valter Araújo S/C Ltda., Jomaia Empreendimentos Ltda., Militão & Parisoto e Maia & Militão Ltda., todas comprovadamente fantasmas. O delegado da Polícia Federal (PF), Sandro Roberto Viana dos Santos, investiga a movimentação ilícita desde fevereiro deste ano e acredita que a quebra do sigilo vai revelar quem são os responsáveis e de quanto foi a movimentação financeira nessas contas.
As investigações da Polícia Federal mostram que o mecanismo usado para a abertura das contas é semelhante ao usado pelo esquema de 32 contas fantasmas atribuído ao empresário e doleiro Alberto Youssef e que movimentaram R$ 150 milhões. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), em uma das contas que seriam do doleiro - a Freitas & Dutra - circularam R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina, durante a gestão do ex-prefeito (cassado) Antonio Belinati. Os funcionários responsáveis pela abertura das cinco contas também são os mesmos que abriram as 32 contas anteriores.
Para o delegado Sandro Roberto, na época em que houve uma auditoria no Banestado de Londrina, a instituição não informou a existência dessas cinco contas, descobertas pela Receita Federal. ''Causa estranheza que as contas foram movimentadas entre 1997 e 1999 e quando houve a auditoria do Banestado, que descobriu 30 contas fantasmas, essas sequer foram mencionadas pelo banco'', lamentou.
De acordo com o delegado federal, o juiz também deferiu o pedido para que sejam encaminhadas à PF as fichas originais de abertura para os correntistas e os documentos que instruíram o processo. Ele disse que a intenção é descobrir quem elaborou os contratos sociais das empresas e registrou a documentação no cartório de títulos e documentos. O reconhecimento de firma das assinaturas dos ''laranjas'' ocorreu no cartório distrital de Paiquerê, mas que atende na Avenida São João, zona leste de Londrina.
Os ''laranjas'' das cinco contas moram no Jardim Paraíso, um bairro carente da zona norte de Londrina. São Hermison Valter Araújo (que aparece como dono de quatro empresas), Romeu de Oliveira Parisoto, Armando Alexandre Militão e Fábio Maia. Em depoimento à PF, Hermison alegou que o grupo foi procurado por Cícero Soares, o ''Cirço'', que ofereceu R$ 200 para que eles emprestassem documentos e assinassem alguns papéis. O suspeito teria morrido de câncer.
Cirço teria procurado o grupo na companhia de uma pessoa alta, cabelo liso e claro, usando cavanhaque. Após entregar R$ 200 ao grupo, o desconhecido disse que traria mais dinheiro, porém nunca mais apareceu no bairro. ''Tenho a consciência tranquila e não devo nada. Ele (Cirço) falou que não tinha problema porque era para fazer compra no Paraguai'', afirmou Hermison à Folha.
Hermison disse ainda que ele e os amigos aceitaram a proposta porque estavam desempregados. ''Levei um susto quando fui procurado pela Receita Federal'', afirmou.

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